02 May, 2010
Bem dizia o L que não tinha paciência para me aturar. Sim, eu sou diferente. Diferente do quê? Boa pergunta. Eu não sou diferente porque quero ser diferente, porque sim, porque é fixe. Odeio posers pelo simples facto de que não vejo sentido em alguém fazer-se passar por algo que não é. Uh, vou ser bué alternativo e bué fixe porque sim. Ou vou ser aquela pessoa que (finge que) se importa com toda a gente, a fixe. Porque quero à força toda que todos gostem de mim. E que me achem o/a santo Graal.
São circusntâncias da vida, dizem eles. Não, eu não sou assim. Sou diferente, às vezes até queria ser igual (a quê?), mas não sou, e cada vez gosto mais disso. Cada vez tenho menos paciência e menos tolerância para posers. Estúpidos, isso sim. Quem não gostar... paciência. Será assim tão importante ser amado por algo que não se é?
Hoje apercebi-me de algo. Quando se ama alguém isso fica connosco. Para sempre. Nunca desejaríamos mal a essa pessoa. Nunca. Jamais. Nunca magoaríamos essa pessoa. Não, não me sinto bem, embora talvez me devesse sentir. Não mereço estar num pedestal, e muito menos mereço toda esta (tua) tortura. Mas entre o 8 e o 80, apercebo-me das falsidades e das maldades. Tenho defeitos, como toda a gente. Não perdoo que me magoem de propósito. Não perdoo lobos em pele de cordeiro. Enganem quem quiserem. Façam o vosso melhor sorriso, e que todos acreditem em vocês. Hoje, mais do que nunca, não tenho paciência. Porque me recordaram do que significa gostar de alguèm. Porque me esqueço vezes demais da importância que tive. Não para os que disseram que sim, mas para os que sentiram que sim. Porque sempre me orgulhei de ser a imperfeição que sou, e sempre apreciei (às vezes mal) o valor que me dão.
E hoje... Hoje vejo que tenho razão em não admitir ser a desculpa para a maldade inerente aos que não sabem amar.
Conheço pessoas boas. Pessoas milhentas vezes melhores que eu. E conheço pessoas que querem passar por boas. Posers. Desculpem lá... Mas vão morrer longe. Para não cheirar mal.
São circusntâncias da vida, dizem eles. Não, eu não sou assim. Sou diferente, às vezes até queria ser igual (a quê?), mas não sou, e cada vez gosto mais disso. Cada vez tenho menos paciência e menos tolerância para posers. Estúpidos, isso sim. Quem não gostar... paciência. Será assim tão importante ser amado por algo que não se é?
Hoje apercebi-me de algo. Quando se ama alguém isso fica connosco. Para sempre. Nunca desejaríamos mal a essa pessoa. Nunca. Jamais. Nunca magoaríamos essa pessoa. Não, não me sinto bem, embora talvez me devesse sentir. Não mereço estar num pedestal, e muito menos mereço toda esta (tua) tortura. Mas entre o 8 e o 80, apercebo-me das falsidades e das maldades. Tenho defeitos, como toda a gente. Não perdoo que me magoem de propósito. Não perdoo lobos em pele de cordeiro. Enganem quem quiserem. Façam o vosso melhor sorriso, e que todos acreditem em vocês. Hoje, mais do que nunca, não tenho paciência. Porque me recordaram do que significa gostar de alguèm. Porque me esqueço vezes demais da importância que tive. Não para os que disseram que sim, mas para os que sentiram que sim. Porque sempre me orgulhei de ser a imperfeição que sou, e sempre apreciei (às vezes mal) o valor que me dão.
E hoje... Hoje vejo que tenho razão em não admitir ser a desculpa para a maldade inerente aos que não sabem amar.
Conheço pessoas boas. Pessoas milhentas vezes melhores que eu. E conheço pessoas que querem passar por boas. Posers. Desculpem lá... Mas vão morrer longe. Para não cheirar mal.
08 April, 2010
I'll pray for you.
I haven't slept for days and maybe I'm too tired to think straight and that's why I'm thinking of you. Memories started to pour like flood and it occured to me that you're even more screwed up now than you were back then... And boy, were you screwed up back then...!
I know (or at least I hope) that you're too lucky to die, but the thought crossed my mind and it scared me. Why? Why did I fear losing you? I don't love you anymore and you never loved me at all. But you never loved yourself either, and that is not only scary, but also sad.
It freaks me out to finally see why you're the closest thing I had to a soulmate. It's because you're self-destructive and self-absorved, just like me. Except that you're way more self-destructive than I am. You make all my anger seem like a stupid and fake cry for attention, compared to yours. I've never seen anyone like you before, and it scares me. I'm so healthy compared to you, and while I'm glad I finally got rid of you, my stupid protective side can't help but fear you won't make it.
So tonight, I'll pray for you. For good (and bad) old times sake.
I know (or at least I hope) that you're too lucky to die, but the thought crossed my mind and it scared me. Why? Why did I fear losing you? I don't love you anymore and you never loved me at all. But you never loved yourself either, and that is not only scary, but also sad.
It freaks me out to finally see why you're the closest thing I had to a soulmate. It's because you're self-destructive and self-absorved, just like me. Except that you're way more self-destructive than I am. You make all my anger seem like a stupid and fake cry for attention, compared to yours. I've never seen anyone like you before, and it scares me. I'm so healthy compared to you, and while I'm glad I finally got rid of you, my stupid protective side can't help but fear you won't make it.
So tonight, I'll pray for you. For good (and bad) old times sake.
03 April, 2010
In another timeline, can I get Josh?

Estou em pleno momento de loucura adolescente, como sempre acontece logo a seguir a ver um episódio de Lost, portanto vou-me abster de comentários lascivos e limitar-me a meter aqui o Josh, porque sim... Raio do homem dá-me calafrios.
Porque é que este homem, que tem uma barriguinha de cerveja, é casado com uma mulher que não encaixa minimamente nos padrões de beleza de Hollywood, é ligeiramente desastrado e não tem jeito nenhum para desenhar (somos dois) consegue ser tão perfeito??? Argh.
(Não, não tenho uma paixão platónica absurda... Vá, talvez só um bocadinho). Preciso é de algo que me recorde que eles andam aí... E que não podemos contentarmo-nos com menos que um Josh... Ou paixão platónica equivalente.
31 March, 2010
For a Friend
Pode dizer-se que é por estas e por outras que és a minha melhor amiga (ups, logo eu que digo que não faço distinções... que se lixe). Porque podemos estar as duas trancadas em casa em penitência forçada a cortar simbolicamente os pulsos, mas ainda assim quando nos juntamos puxamos o lado mais saudável e mais optimista de cada uma.
Porque temos a mania de analisar tudo até à exaustão, de ver sinais que talvez nem sequer existam, de inventar teorias tão perfeitas que só poderiam falhar... Temos jeito para analisar as pessoas (teremos?), mas não temos jeito nenhum para nos analisarmos a nós próprias. Talvez porque tentamos fazer tudo como é suposto, não para ficar bem na fotografia, mas para ficarmos bem connosco próprias, e acabamos (quase) inevitavelmente por estragar tudo e torturarmo-nos por isso até ao fim dos tempos.
Não se pode pedir a alguém que sente demais para agir consoante as normas. Já deviam saber disso, e mal o deles (todos) se não o sabem. Não os podemos obrigar a saber como é ter um turbilhão de emoções cá dentro, mas podemos tentar fazê-los ver que é impossível contê-lo para além de certo ponto. Se tudo o resto falhar (e falhará de certeza), temo-nos uma à outra. E isso pode não ser o ideal, mas será o suficiente.
Porque temos a mania de analisar tudo até à exaustão, de ver sinais que talvez nem sequer existam, de inventar teorias tão perfeitas que só poderiam falhar... Temos jeito para analisar as pessoas (teremos?), mas não temos jeito nenhum para nos analisarmos a nós próprias. Talvez porque tentamos fazer tudo como é suposto, não para ficar bem na fotografia, mas para ficarmos bem connosco próprias, e acabamos (quase) inevitavelmente por estragar tudo e torturarmo-nos por isso até ao fim dos tempos.
Não se pode pedir a alguém que sente demais para agir consoante as normas. Já deviam saber disso, e mal o deles (todos) se não o sabem. Não os podemos obrigar a saber como é ter um turbilhão de emoções cá dentro, mas podemos tentar fazê-los ver que é impossível contê-lo para além de certo ponto. Se tudo o resto falhar (e falhará de certeza), temo-nos uma à outra. E isso pode não ser o ideal, mas será o suficiente.
30 March, 2010
Mudança
Neste momento eu deveria estar naquele café, rodeada de velhos rebarbados dizendo obscenidades que eu não ouviria porque os licores beirão teriam já tornado as suas vozes num murmúrio incompreensível. Em vez disso estou aqui. Não é que a vontade não seja a mesma de outros tempos, não é que o aperto não seja assustadoramente semelhante.
Mas algo em mim mudou. Algo me impede de me afogar novamente. Talvez seja cansaço, falta de paciência e de força (é preciso ter força para perder as forças), falta de vontade para repetir o filme que teima em querer repetir-se, mas não pode sem o meu consentimento.
E não o tem. Há quem precise de mim, e não posso ser egoísta a ponto de me deixar morrer outra vez, porque ela precisa de mim e nunca morreria sem tentar salvar-me primeiro.
Mas algo em mim mudou. Algo me impede de me afogar novamente. Talvez seja cansaço, falta de paciência e de força (é preciso ter força para perder as forças), falta de vontade para repetir o filme que teima em querer repetir-se, mas não pode sem o meu consentimento.
E não o tem. Há quem precise de mim, e não posso ser egoísta a ponto de me deixar morrer outra vez, porque ela precisa de mim e nunca morreria sem tentar salvar-me primeiro.
C
É como chegar ao fim do filme e não ter percebido nada.
Perguntamos aos outros o que acharam, e todos perceberam as mensagens subliminares e as (pseudo?)filosofias abstractas. E nós não. Entramos na conversa, jogamos para o ar meia dúzia de ideias pseudo-intelectualmente seguras, e pode ser que ninguém desenvolva o assunto e veja que realmente, não percebemos mesmo nada do que acabámos de ver.
Sim, não é de facto agradável sentirmo-nos burros no nosso círculo de intelectuais emproados. Também não é agradável admitir que só lhes chamamos emproados porque temos inveja. Queremos tanto fazer parte de algo. Mas não de um algo qualquer, só porque sim. Só pelo sentimento de pertença. Não. Queremos fazer parte de algo que amamos, algo em que sempre quisemos ser inegavelmente bons. Que fazer quando chegamos à conclusão de que talvez não sejamos? Admitir e sair pela porta dos fundos com umas orelhas de burro e a cabeça baixa, ou bater o pé e ver o filme 20 vezes, sem ninguém saber, até os estores se abrirem e virmos o que para os outros é óbvio?
Lembro-me de Mulholland Drive, talvez porque encaixa neste maldito turbilhão de coisas que não fazem sentido nenhum. Toda a gente percebeu o filme. Eu não. Nem à 1ª, nem à 2ª, nem sequer à 5ª vez. Disseram que o David Linch faz os filmes mesmo para ninguém perceber, mas os outros perceberam tudo. Ou se calhar fazem o mesmo que eu, fingem para ninguém saber que não fazem o mínimo sentido de nada daquilo. Talvez ninguém perceba nada de nada. Se calhar apelam à subjectividade de (quase tudo) para darem uma interpretação qualquer, só para haver alguma.
Mas talvez tenham percebido mesmo à 1ª, ou tenham visto o filme 20 vezes em casa antes de chegar lá. Cada um tem o seu ritmo, e não posso querer à força toda ser uma espécie de génio em abolutamente tudo. Muito menos em coisas abstractas.
Não é justo nem saudável compararmo-nos constantemente aos outros, muito menos quando fazemos questão de nos orgulharmos de ser diferentes. Mas podemos aprender alguma coisa com os outros. Podemos talvez deixar-nos de lamentos infrutíferos, deitarmo-nos com um balde de pipocas e recusarmo-nos a desistir enquanto não tivermos finalmente chegado lá.
Nem que seja à milésima vez.
Perguntamos aos outros o que acharam, e todos perceberam as mensagens subliminares e as (pseudo?)filosofias abstractas. E nós não. Entramos na conversa, jogamos para o ar meia dúzia de ideias pseudo-intelectualmente seguras, e pode ser que ninguém desenvolva o assunto e veja que realmente, não percebemos mesmo nada do que acabámos de ver.
Sim, não é de facto agradável sentirmo-nos burros no nosso círculo de intelectuais emproados. Também não é agradável admitir que só lhes chamamos emproados porque temos inveja. Queremos tanto fazer parte de algo. Mas não de um algo qualquer, só porque sim. Só pelo sentimento de pertença. Não. Queremos fazer parte de algo que amamos, algo em que sempre quisemos ser inegavelmente bons. Que fazer quando chegamos à conclusão de que talvez não sejamos? Admitir e sair pela porta dos fundos com umas orelhas de burro e a cabeça baixa, ou bater o pé e ver o filme 20 vezes, sem ninguém saber, até os estores se abrirem e virmos o que para os outros é óbvio?
Lembro-me de Mulholland Drive, talvez porque encaixa neste maldito turbilhão de coisas que não fazem sentido nenhum. Toda a gente percebeu o filme. Eu não. Nem à 1ª, nem à 2ª, nem sequer à 5ª vez. Disseram que o David Linch faz os filmes mesmo para ninguém perceber, mas os outros perceberam tudo. Ou se calhar fazem o mesmo que eu, fingem para ninguém saber que não fazem o mínimo sentido de nada daquilo. Talvez ninguém perceba nada de nada. Se calhar apelam à subjectividade de (quase tudo) para darem uma interpretação qualquer, só para haver alguma.
Mas talvez tenham percebido mesmo à 1ª, ou tenham visto o filme 20 vezes em casa antes de chegar lá. Cada um tem o seu ritmo, e não posso querer à força toda ser uma espécie de génio em abolutamente tudo. Muito menos em coisas abstractas.
Não é justo nem saudável compararmo-nos constantemente aos outros, muito menos quando fazemos questão de nos orgulharmos de ser diferentes. Mas podemos aprender alguma coisa com os outros. Podemos talvez deixar-nos de lamentos infrutíferos, deitarmo-nos com um balde de pipocas e recusarmo-nos a desistir enquanto não tivermos finalmente chegado lá.
Nem que seja à milésima vez.
Elementar, meu caro Watson
Não há crimes perfeitos, pelo simples facto de que nada é perfeito. Há crimes cuidadosamente pensados, pacientemente programados, minuciosamente efectuados. Há crimes que são uma dor de cabeça para qualquer detective, mas não há, repito, crimes perfeitos.
Há uns bons anos pensei seriamente em ser detective de homicídios. Não levei aquilo mais longe porque conhecendo-me como me conheço, não iria conseguir abstrair da parte gore da coisa. Além de que também não me apetece ficar insensível, o que acaba por ser quase inevitável e necessário à sobrevivência (ou ao menos à sanidade) nestes casos. Mas o bichinho continua cá dentro. Gosto de quebra-cabeças e, não é novidade nenhuma, gosto de casos complicados. E gosto de sentir a alegria das pessoas quando resolvemos problemas por elas.
Se ontem me pedissem para resolver aquele crime, eu estaria completamente clueless. Prestes a desistir, sentada a uma secretária com as costas doridas e os olhos pesados, sentindo-me frustrada e ligeiramente estúpida. Parte de ver o que os outros não veêm passa por um sentimento de auto-validação. É um desafio para nós próprios. Mas este crime transcendia tudo isso. Sim, havia algumas pontas soltas. Mas não levavam a lado nenhum. Sim, havia testemunhas. Mas não se se podiam ter preocupado menos com o sucedido, e passado tanto tempo, a memória estava já demasiado turva. Todas as informações eram contraditórias, e tinham a importância de um grão de areia. O principal suspeito era demasiado inteligente para dar um passo em falso, apsar de a linguagem corporal parecer por vezes incriminatória. O caso estava irremediavelmente perdido.
Pensava eu.
Hoje, precisamente no segundo em que admiti a derrota e me preparei para ir buscar uma caixa e arquivar o caso, tocam à porta. Correio. Um pacote. Vindo do nada, sem remetente, o pacote contém um único item. A prova derradeira e indubitável de como foi cometido o crime, porquê e por quem. O suspeito principal é de facto o autor do crime. E certamente não estava à espera de ser apanhado de forma tão flagrante e tão imprevista, como a que o pacote continha. Confiou demais na sua inteligência, o que parece ser o erro de muitos como ele. O meu coração dispara. Agora sei a verdade. Posso finalmente fechar os olhos e relaxar.
...Então porque é que não consigo?
Saber a verdade não me acalma como deveria. Tenho todas as provas e não sei que fazer com elas.
Há uns bons anos pensei seriamente em ser detective de homicídios. Não levei aquilo mais longe porque conhecendo-me como me conheço, não iria conseguir abstrair da parte gore da coisa. Além de que também não me apetece ficar insensível, o que acaba por ser quase inevitável e necessário à sobrevivência (ou ao menos à sanidade) nestes casos. Mas o bichinho continua cá dentro. Gosto de quebra-cabeças e, não é novidade nenhuma, gosto de casos complicados. E gosto de sentir a alegria das pessoas quando resolvemos problemas por elas.
Se ontem me pedissem para resolver aquele crime, eu estaria completamente clueless. Prestes a desistir, sentada a uma secretária com as costas doridas e os olhos pesados, sentindo-me frustrada e ligeiramente estúpida. Parte de ver o que os outros não veêm passa por um sentimento de auto-validação. É um desafio para nós próprios. Mas este crime transcendia tudo isso. Sim, havia algumas pontas soltas. Mas não levavam a lado nenhum. Sim, havia testemunhas. Mas não se se podiam ter preocupado menos com o sucedido, e passado tanto tempo, a memória estava já demasiado turva. Todas as informações eram contraditórias, e tinham a importância de um grão de areia. O principal suspeito era demasiado inteligente para dar um passo em falso, apsar de a linguagem corporal parecer por vezes incriminatória. O caso estava irremediavelmente perdido.
Pensava eu.
Hoje, precisamente no segundo em que admiti a derrota e me preparei para ir buscar uma caixa e arquivar o caso, tocam à porta. Correio. Um pacote. Vindo do nada, sem remetente, o pacote contém um único item. A prova derradeira e indubitável de como foi cometido o crime, porquê e por quem. O suspeito principal é de facto o autor do crime. E certamente não estava à espera de ser apanhado de forma tão flagrante e tão imprevista, como a que o pacote continha. Confiou demais na sua inteligência, o que parece ser o erro de muitos como ele. O meu coração dispara. Agora sei a verdade. Posso finalmente fechar os olhos e relaxar.
...Então porque é que não consigo?
Saber a verdade não me acalma como deveria. Tenho todas as provas e não sei que fazer com elas.
A propósito de nada.
Encontrei isto no baú. Não sei como, quando ou porque escrevi isto. Sei que gostei, e eu raramente gosto do que escrevo. Temas e presentes à parte, preciso de algo que me convença que vale a pena voltar a escrever.
Sarah voltou a acordar a meio da noite, com mais um pesadelo horrendo demais para descrever. Voltou a olhar para o tecto, para as constelações de estrelas de néon, e a interrogar-se porque nem os seus sonhos eram capazes de ser optimistas como só os sonhos podiam ser.
Às vezes pensava no que Richard tinha balbuciado segundos antes de morrer. Só perdemos verdadeiramente alguém se essa pessoa morrer. Se a pessoa estiver viva e pura e simplesmente escolher ignorar a nossa existência (e, pior, a nossa dor e as nossas lágrimas) valerá realmente a pena a penitência que lhe oferecemos?
Richard era uma daquelas pessoas cujo único propósito parece ser o de nos ensinar algo com a sua partida. Ele ensinara-lhe que nada está de facto perdido, até o estar pelas leis da física. Como podia ela continuar estupidamente a chorar por alguém que, para dizer a verdade nua e crua, nunca lhe tinha dado a mínima importância? Palavra dura e demasiado definitiva, esta. Nunca. Como podia ela sentir a alma embrulhar-se por alguém que a considerava aquela coisa dolorosa a que se chama “apenas mais uma”? Ela sabia a regra antropológica que todos sentimos, mesmo os outros que eram para ela iguais a nada. Todos queremos sentir-nos especiais. E mulher nenhuma quer ser apenas mais uma. Mas não nos podemos esquecer que todas essas, todas as “apenas mais uma(s)”, todas as “nada de especial” que nos precederam.. Queriam no fundo o mesmo que nós. E mereciam no fundo, exactamente o mesmo que nós merecíamos e não conseguimos. Queriam ser “aquela” e não “uma”. Resumamo-nos à insignificância que (não) temos. Tenhamos a coragem de ser apenas mais uma. Por muito que não sejamos.
O pior cego é aquele que não quer ver. Ou pelo menos é o que dizem.
Sarah sabe que não perde ninguém. Os cabrões ainda estão todos vivos. E se morreram… Apenas para ela.
Sarah voltou a acordar a meio da noite, com mais um pesadelo horrendo demais para descrever. Voltou a olhar para o tecto, para as constelações de estrelas de néon, e a interrogar-se porque nem os seus sonhos eram capazes de ser optimistas como só os sonhos podiam ser.
Às vezes pensava no que Richard tinha balbuciado segundos antes de morrer. Só perdemos verdadeiramente alguém se essa pessoa morrer. Se a pessoa estiver viva e pura e simplesmente escolher ignorar a nossa existência (e, pior, a nossa dor e as nossas lágrimas) valerá realmente a pena a penitência que lhe oferecemos?
Richard era uma daquelas pessoas cujo único propósito parece ser o de nos ensinar algo com a sua partida. Ele ensinara-lhe que nada está de facto perdido, até o estar pelas leis da física. Como podia ela continuar estupidamente a chorar por alguém que, para dizer a verdade nua e crua, nunca lhe tinha dado a mínima importância? Palavra dura e demasiado definitiva, esta. Nunca. Como podia ela sentir a alma embrulhar-se por alguém que a considerava aquela coisa dolorosa a que se chama “apenas mais uma”? Ela sabia a regra antropológica que todos sentimos, mesmo os outros que eram para ela iguais a nada. Todos queremos sentir-nos especiais. E mulher nenhuma quer ser apenas mais uma. Mas não nos podemos esquecer que todas essas, todas as “apenas mais uma(s)”, todas as “nada de especial” que nos precederam.. Queriam no fundo o mesmo que nós. E mereciam no fundo, exactamente o mesmo que nós merecíamos e não conseguimos. Queriam ser “aquela” e não “uma”. Resumamo-nos à insignificância que (não) temos. Tenhamos a coragem de ser apenas mais uma. Por muito que não sejamos.
O pior cego é aquele que não quer ver. Ou pelo menos é o que dizem.
Sarah sabe que não perde ninguém. Os cabrões ainda estão todos vivos. E se morreram… Apenas para ela.
28 December, 2009
Coisas estúpidas, estranhas e impossíveis
Se o amor não passa de uma reacção química destinada a enganar-nos de modo a assegurar a continuação da espécie, porque é que há pessoas que nos atingem de modo fulminante, fazendo as típicas borboletas no estômago terem nova metamorfose e transformarem-se em bichos gigantes a comerem-nos as entranhas?
Talvez não haja almas gémeas, mas sim químicos gémeos ou hormonas gémeas. Nunca acreditei em amor à primeira vista, porque à primeira vista não se conhece verdadeiramente ninguém, e é pelas qualidades (e principalmente pelos defeitos) que nos apaixonamos.
No entanto não há como negar que há pessoas que nos são completamente indiferentes, muitas vezes pessoas que desejávamos poder não achar indiferentes. E outras que têm em nós um efeito devastador. Porquê? Que químicos são responsáveis por esta discriminação de atracções? Não sei, não gosto de pensar nestas coisas cientificamente. Quando a ciência se mete no amor tira-lhe a piada toda.
Talvez não haja almas gémeas, mas sim químicos gémeos ou hormonas gémeas. Nunca acreditei em amor à primeira vista, porque à primeira vista não se conhece verdadeiramente ninguém, e é pelas qualidades (e principalmente pelos defeitos) que nos apaixonamos.
No entanto não há como negar que há pessoas que nos são completamente indiferentes, muitas vezes pessoas que desejávamos poder não achar indiferentes. E outras que têm em nós um efeito devastador. Porquê? Que químicos são responsáveis por esta discriminação de atracções? Não sei, não gosto de pensar nestas coisas cientificamente. Quando a ciência se mete no amor tira-lhe a piada toda.
19 September, 2009
Facto curioso
Tenho a cara e os joelhos da mesma cor: roxo.
Gosto de acreditar na inexistência do passado, porque a verdade é que o passado não existe, e como tal torna-se irrelevante se existiu ou não, porque no presente não existe nem há maneira nenhuma de lá voltarmos. Sem ser a nossa memória. Se não me lembro das coisas elas nunca existiram. Ponto. Até que começo a encontrar bocadinhos do puzzle espalhados aqui e ali. Reais. palpáveis. E como tal impossíveis de ignorar.
Hoje tudo é estranho e errado, mas de certa forma tudo faz sentido. Faz sentido porque há demasiadas coisas que não fazem sentido, e hoje tudo à minha volta e tudo dentro de mim faz questão de me lembrar isso.
Gosto de acreditar na inexistência do passado, porque a verdade é que o passado não existe, e como tal torna-se irrelevante se existiu ou não, porque no presente não existe nem há maneira nenhuma de lá voltarmos. Sem ser a nossa memória. Se não me lembro das coisas elas nunca existiram. Ponto. Até que começo a encontrar bocadinhos do puzzle espalhados aqui e ali. Reais. palpáveis. E como tal impossíveis de ignorar.
Hoje tudo é estranho e errado, mas de certa forma tudo faz sentido. Faz sentido porque há demasiadas coisas que não fazem sentido, e hoje tudo à minha volta e tudo dentro de mim faz questão de me lembrar isso.
07 August, 2009
Está provado que tenho o/a sparkle. Após anos a sentir-me unlovable, finalmente tenho aquilo que invejava em todas as outras.
E agora que aconteceu, volta tudo em catadupa.
Medo, fobia, masoquismo, burrice, não sei o que é, mas aconteceu outra vez. There I go... Running for the hills. Será auto-sabotagem? O que aconteceu à pessoa que lutava por casos perdidos? Ter-se-á tornado ela própria um caso perdido? Não me percebo, e tenho medo de me perceber...
Não. É uma questão matemática. Se eu à partida já tinha em mim mais esperança que a maioria, por muita que tenha morrido alguma há-de restar. Não sei é se será maior que o medo. Estupidez ou não, não estou mesmo em condições de me magoar outra vez. Porque se isso acontecer perco-me de vez, e nunca mais consigo voltar.
Há uma parte de mim que ainda acredita que tudo pode e deve ser simples, mas há outra que me prende e não me deixa sair do sítio. Um dia vai ter que acontecer como no Identity, e só uma vai sobreviver. Sei perfeitamente que a parte "boa" vai vencer, felizmente está cá há muito mais tempo. Sinto que esse dia já esteve mais longe, mas também sinto que vai demorar demasiado tempo a chegar.
Somos tão mais fortes do que imaginamos, e tão cobardes ao mesmo tempo...
Be careful what you wish for, 'cause you just might get it all...
E agora que aconteceu, volta tudo em catadupa.
Medo, fobia, masoquismo, burrice, não sei o que é, mas aconteceu outra vez. There I go... Running for the hills. Será auto-sabotagem? O que aconteceu à pessoa que lutava por casos perdidos? Ter-se-á tornado ela própria um caso perdido? Não me percebo, e tenho medo de me perceber...
Não. É uma questão matemática. Se eu à partida já tinha em mim mais esperança que a maioria, por muita que tenha morrido alguma há-de restar. Não sei é se será maior que o medo. Estupidez ou não, não estou mesmo em condições de me magoar outra vez. Porque se isso acontecer perco-me de vez, e nunca mais consigo voltar.
Há uma parte de mim que ainda acredita que tudo pode e deve ser simples, mas há outra que me prende e não me deixa sair do sítio. Um dia vai ter que acontecer como no Identity, e só uma vai sobreviver. Sei perfeitamente que a parte "boa" vai vencer, felizmente está cá há muito mais tempo. Sinto que esse dia já esteve mais longe, mas também sinto que vai demorar demasiado tempo a chegar.
Somos tão mais fortes do que imaginamos, e tão cobardes ao mesmo tempo...
Be careful what you wish for, 'cause you just might get it all...
22 April, 2009
Estrada
Sigo.
Sempre em frente. Não posso parar. Não posso...
É sempre a mesma estrada. É sempre a mesma estrada que nunca mais acaba nem chega a lado nenhum. No princípio estava entusiasmada, curiosa. Corria por aqui fora, ansiosa de ver onde me levaria. Agora arrasto-me. Arrasto-me penosamente, os pés ardendo dentro dos sapatos em bico, a gravilha furando-me as solas. Não sei há quanto tempo caminho mas sinto as pálpebras pesadas e a garganta seca. Mas não posso parar.
Dentro de pouco tempo, mesmo que não chegue a lado nenhum, esta estrada vai deixar de ser sempre igual. Como quando se anda muito tempo no deserto. O calor, o cansaço e a desidratação vão tornar esta estrada numa alucinação. Dentro em breve o solo vai ondular-se, as bermas vão ficar distorcidas e a realidade vai ser o que o meu cérebro quiser.
O que foi dito e é verdade vai ser suplantado pelas acções dúbias que são mentira, os momentos de riso cruel vão-se tornar nas nossas gargalhadas sinceras, as certezas vão afastar os olhares indiferentes, a voz do Mundo vai calar a minha voz interior, e o filme vai começar do princípio para o fim em vez do contrário.
Quem me dera poder sair daqui, poder trocar de realidade, ao menos em fantasia, poder acreditar por um momento que algo talvez possa ser um pouco diferente, mesmo que não possa.
Quem me dera poder virar numa curva e descobrir a saída da estrada, em vez de andar em círculos e ir parar sempre à mesma encruzilhada deste labirinto. Gostava de poder voltar ao tempo em que as alucinações eram reais.
Qual cão de Pavlov, tocavam o sino a meio caminho e eu esquecia-me que a estrada não levava a lado nenhum. Chamam-lhe reflexo condicionado. Eu não tenho culpa. Treinaram-me assim. Convenceram-me que o efeito seria sempre o mesmo. Aquela campanhia, qual sino de santuário, fazia-me ficar segura, sonhadora, acreditando que aquela seria a vez em que encontraria o fim da estrada. Desta vez enganei-me. Estou imune à alucinação. Agora, ser evoluído pelo tempo, ouço a campainha mas já não caio na conversa. Já não sinto o efeito.
As campainhas são as mentiras da alma. São as tretas que nos contam para nos manterem estupidamente a percorrer uma estrada que não vai dar a lado nenhum. Para não nos deixarem desistir de uma missão estúpida e sem sentido que julgamos nobre. E rirem. Rirem muito.
Toca as campainhas que quiseres. Eu sei que esta estrada vai dar ao mesmo beco do costume.
Sempre em frente. Não posso parar. Não posso...
É sempre a mesma estrada. É sempre a mesma estrada que nunca mais acaba nem chega a lado nenhum. No princípio estava entusiasmada, curiosa. Corria por aqui fora, ansiosa de ver onde me levaria. Agora arrasto-me. Arrasto-me penosamente, os pés ardendo dentro dos sapatos em bico, a gravilha furando-me as solas. Não sei há quanto tempo caminho mas sinto as pálpebras pesadas e a garganta seca. Mas não posso parar.
Dentro de pouco tempo, mesmo que não chegue a lado nenhum, esta estrada vai deixar de ser sempre igual. Como quando se anda muito tempo no deserto. O calor, o cansaço e a desidratação vão tornar esta estrada numa alucinação. Dentro em breve o solo vai ondular-se, as bermas vão ficar distorcidas e a realidade vai ser o que o meu cérebro quiser.
O que foi dito e é verdade vai ser suplantado pelas acções dúbias que são mentira, os momentos de riso cruel vão-se tornar nas nossas gargalhadas sinceras, as certezas vão afastar os olhares indiferentes, a voz do Mundo vai calar a minha voz interior, e o filme vai começar do princípio para o fim em vez do contrário.
Quem me dera poder sair daqui, poder trocar de realidade, ao menos em fantasia, poder acreditar por um momento que algo talvez possa ser um pouco diferente, mesmo que não possa.
Quem me dera poder virar numa curva e descobrir a saída da estrada, em vez de andar em círculos e ir parar sempre à mesma encruzilhada deste labirinto. Gostava de poder voltar ao tempo em que as alucinações eram reais.
Qual cão de Pavlov, tocavam o sino a meio caminho e eu esquecia-me que a estrada não levava a lado nenhum. Chamam-lhe reflexo condicionado. Eu não tenho culpa. Treinaram-me assim. Convenceram-me que o efeito seria sempre o mesmo. Aquela campanhia, qual sino de santuário, fazia-me ficar segura, sonhadora, acreditando que aquela seria a vez em que encontraria o fim da estrada. Desta vez enganei-me. Estou imune à alucinação. Agora, ser evoluído pelo tempo, ouço a campainha mas já não caio na conversa. Já não sinto o efeito.
As campainhas são as mentiras da alma. São as tretas que nos contam para nos manterem estupidamente a percorrer uma estrada que não vai dar a lado nenhum. Para não nos deixarem desistir de uma missão estúpida e sem sentido que julgamos nobre. E rirem. Rirem muito.
Toca as campainhas que quiseres. Eu sei que esta estrada vai dar ao mesmo beco do costume.
28 February, 2009
A vida num molho de bróculos
É mesmo verdade que os homens deviam vir com manual de instruções.
Devido a atitudes de terceiros que me têm tirado o sono (mas infelizmente não a fome) vi-me obrigada a voltar a pegar no "Os homens são de Marte, as mulheres de Vénus" de John Gray, em busca de respostas. Para já tenho de dizer que não sou de todo fã de livros de auto-ajuda, em parte porque é um bocado triste ler livros de auto-ajuda e em parte porque sempre tive a ligeira sensação que tudo o que fazem é desajudar
Ofereceram-me este livro praí há 3 anos e nunca consegui passar do 2º capítulo, porque quando o senhor Gray começa a dissertar sobre elásticos marcianos e cavernas a coisa começa a tornar-se demasiado perturbadora e obriga-me a desitir de tentar perceber alguma coisa. Mas basicamente a ideia básica é esta: os homens são como elásticos, aproximam-se até certo ponto e depois sentem a necessidade instintiva de se afastarem, para "encontrarem a sua independência e autonomia". Ou seja, um homem sente a necessidade de intimidade com uma mulher, mas quando essa necessidade é satisfeita ele sente a necessidade de se afastar e de se isolar na sua caverna - aka cabeça - para poder depois voltar ainda com mais vigor, como quando se estica um elástico e se volta a soltá-lo, ele vem com mais energia (ou como o senhor Gray não diz, o homem entra em pânico quando a coisa começa a ficar séria e foge a sete pés).
Isto, de acordo com o livro, acontece quando um homem ama uma mulher. Portanto se um homem se afasta na pior altura possível, em vez de darmos ouvidos ao nosso instinto e matar o desgraçado que nos enganou da pior maneira, temos de ter em conta que há 2 opções para o afastamento:
-Ele está-se completamente nas tintas
-Ele está perdidamente apaixonado
Thank you so much for the insight, Mr. Gray!
Self-aid books my ass...!
Devido a atitudes de terceiros que me têm tirado o sono (mas infelizmente não a fome) vi-me obrigada a voltar a pegar no "Os homens são de Marte, as mulheres de Vénus" de John Gray, em busca de respostas. Para já tenho de dizer que não sou de todo fã de livros de auto-ajuda, em parte porque é um bocado triste ler livros de auto-ajuda e em parte porque sempre tive a ligeira sensação que tudo o que fazem é desajudar
Ofereceram-me este livro praí há 3 anos e nunca consegui passar do 2º capítulo, porque quando o senhor Gray começa a dissertar sobre elásticos marcianos e cavernas a coisa começa a tornar-se demasiado perturbadora e obriga-me a desitir de tentar perceber alguma coisa. Mas basicamente a ideia básica é esta: os homens são como elásticos, aproximam-se até certo ponto e depois sentem a necessidade instintiva de se afastarem, para "encontrarem a sua independência e autonomia". Ou seja, um homem sente a necessidade de intimidade com uma mulher, mas quando essa necessidade é satisfeita ele sente a necessidade de se afastar e de se isolar na sua caverna - aka cabeça - para poder depois voltar ainda com mais vigor, como quando se estica um elástico e se volta a soltá-lo, ele vem com mais energia (ou como o senhor Gray não diz, o homem entra em pânico quando a coisa começa a ficar séria e foge a sete pés).
Isto, de acordo com o livro, acontece quando um homem ama uma mulher. Portanto se um homem se afasta na pior altura possível, em vez de darmos ouvidos ao nosso instinto e matar o desgraçado que nos enganou da pior maneira, temos de ter em conta que há 2 opções para o afastamento:
-Ele está-se completamente nas tintas
-Ele está perdidamente apaixonado
Thank you so much for the insight, Mr. Gray!
Self-aid books my ass...!
12 October, 2008
Traumas, etc.
Ontem tive uma noite como já há muito tempo não tinha. Uma daquelas noites em que o estado de quase-sobriedade nos dispara o Q.I e nos faz ter epifanias e descobrir verdades (quase) universais em que nunca tínhamos sequer pensado e que de repente parecem tão óbvias.
Foi uma noite boa, em que não chorei, não passei nenhum limite perigoso e pode-se dizer que me consegui aguentar à bronca, que desta vez não foi da minha parte. Ver os outros pior do que nós, quando não é o habitual, pode revelar-se esclarecedor em muitos sentidos.
Como é que nunca reparei nos pequenos grandes traumas dos que me rodeiam, na facilidade com que os pontos mal cozidos das cicatrizes se abrem depois de dois copos de vinho, na dor gritante que os outros (também) sentem? Eu já sabia que todos temos os nossos traumas, mas sabia-o de um modo tipo cultura geral, nunca lhe tinha dado muito valor por pensar que era eu a única com assuntos mal resolvidos e feridas abertas tempo demais. Por talvez pensar que o meu trauma era maior que o dos outros, mais estúpido, mais desnecessário e principalmente mais sobrevalorizado. Ontem vi a verdade. Consegui ver, num grupo de amigos e desconhecidos, as pequenas feridas e os pequenos medos que aumentam proporcionalmente à quantidade de bebida ingerida. Consegui ouvir as notas de dor nas vozes embargadas de cada vez que o assunto roçava arestas mal limadas. Fiquei-me a sentir mais saudável, talvez até mais saudável que eles, mas não sei se me senti realmente melhor. Se somos todos uns traumatizados, onde irei eu encontrar alguém com a coragem, a força e a paciência para me curar do meu próprio trauma?
Não vou. Não vou encontrar ninguém assim porque eu era a última. 3 anos atrás eu era a última pessoa capaz de dar tudo por tudo para matar o trauma de alguém, sabendo (e pressentindo) que poderia cair eu a seguir dentro do buraco. Já ninguém pensa assim. Já ninguém se joga de telhados por ninguém. E fazem eles bem. Porque se jogariam? Porque se anulariam de tal forma por alguém que é só mais um alguém? Já ninguém arrisca com um par de dois. Como posso eu julgar os outros por não lutarem por ninguém, por não saírem da sua área de conforto e por não se atirarem de cabeça, se eu própria fiz tudo isso e caí a pior queda possível? Se por um lado me faz sentir mais "normal" saber que todos somos traumatizados, ao mesmo tempo é assustador ver que na casa dos 20, já não há nada senão desistentes.
Se conseguíssemos ler mentes e ter a certeza de que algo vale a pena, seria tudo diferente. A ausência de certezas não deixa de ter a sua piada, mas torna tudo confuso, e à pala de uns quantos mentirosos temos todos medo de saltar.
Começo a detestar os filmes de Hollywood e as intemporais histórias de amor. Parece que já não há borboletas nem grandes feitos, e detesto a ideia de escolher o "confortável e seguro" ao "intenso e arrebatador".
Foi uma noite boa, em que não chorei, não passei nenhum limite perigoso e pode-se dizer que me consegui aguentar à bronca, que desta vez não foi da minha parte. Ver os outros pior do que nós, quando não é o habitual, pode revelar-se esclarecedor em muitos sentidos.
Como é que nunca reparei nos pequenos grandes traumas dos que me rodeiam, na facilidade com que os pontos mal cozidos das cicatrizes se abrem depois de dois copos de vinho, na dor gritante que os outros (também) sentem? Eu já sabia que todos temos os nossos traumas, mas sabia-o de um modo tipo cultura geral, nunca lhe tinha dado muito valor por pensar que era eu a única com assuntos mal resolvidos e feridas abertas tempo demais. Por talvez pensar que o meu trauma era maior que o dos outros, mais estúpido, mais desnecessário e principalmente mais sobrevalorizado. Ontem vi a verdade. Consegui ver, num grupo de amigos e desconhecidos, as pequenas feridas e os pequenos medos que aumentam proporcionalmente à quantidade de bebida ingerida. Consegui ouvir as notas de dor nas vozes embargadas de cada vez que o assunto roçava arestas mal limadas. Fiquei-me a sentir mais saudável, talvez até mais saudável que eles, mas não sei se me senti realmente melhor. Se somos todos uns traumatizados, onde irei eu encontrar alguém com a coragem, a força e a paciência para me curar do meu próprio trauma?
Não vou. Não vou encontrar ninguém assim porque eu era a última. 3 anos atrás eu era a última pessoa capaz de dar tudo por tudo para matar o trauma de alguém, sabendo (e pressentindo) que poderia cair eu a seguir dentro do buraco. Já ninguém pensa assim. Já ninguém se joga de telhados por ninguém. E fazem eles bem. Porque se jogariam? Porque se anulariam de tal forma por alguém que é só mais um alguém? Já ninguém arrisca com um par de dois. Como posso eu julgar os outros por não lutarem por ninguém, por não saírem da sua área de conforto e por não se atirarem de cabeça, se eu própria fiz tudo isso e caí a pior queda possível? Se por um lado me faz sentir mais "normal" saber que todos somos traumatizados, ao mesmo tempo é assustador ver que na casa dos 20, já não há nada senão desistentes.
Se conseguíssemos ler mentes e ter a certeza de que algo vale a pena, seria tudo diferente. A ausência de certezas não deixa de ter a sua piada, mas torna tudo confuso, e à pala de uns quantos mentirosos temos todos medo de saltar.
Começo a detestar os filmes de Hollywood e as intemporais histórias de amor. Parece que já não há borboletas nem grandes feitos, e detesto a ideia de escolher o "confortável e seguro" ao "intenso e arrebatador".
05 October, 2008
Benvindos.
A era da inocência... Já era. Benvindos à era moderna, em que nada fica e em que nada marca. Benvindos à era em que é tudo fácil, e porco, e sem significado. E enquanto idiotas como eu se roem por terem ido contra os seus princípios, o Mundo ri por ainda haver quem tenha príncipios. E como levantou e muito bem o anónimo no seu comentário, como havemos nós de ser optimistas se p'ensarmos o que pensarmos, fizermos o que fizermos, o pior que pode acontecer acontece sempre??? Estou farta.
Apetece-me ouvir Ornatos. Não sei por que merda passou o Manuel Cruz, mas acho que ele me compreenderia neste momento. Apetece-me mesmo anular-me e ser a merda que esperam que eu seja. Tudo é mais fácil quando não há expectativas.
Estou desanimada e fraca, e tonta demais para acreditar em seja o que for que seja demasiado bom para ser verdae.
Apetece-me ouvir Ornatos. Não sei por que merda passou o Manuel Cruz, mas acho que ele me compreenderia neste momento. Apetece-me mesmo anular-me e ser a merda que esperam que eu seja. Tudo é mais fácil quando não há expectativas.
Estou desanimada e fraca, e tonta demais para acreditar em seja o que for que seja demasiado bom para ser verdae.
22 September, 2008
Optimismo
Ou como nascer outra vez.
Não quero saber que depois caia de boca. Estou farta de negativismos e de maus presságios. Estou farta de desculpar cada desistência prévia com o azar que sempre tive. Sim, tive azar. Muito azar mesmo. Mas não quer dizer que o volte a ter.
1,2,3, vou nascer outra vez!(e desta vez vou nascer optimista)
É mesmo preciso nascer outra vez, desde que me lembro de pensar que tenho uma tendência suicida para o pessimismo, e na "era da depressão" é mesmo igual a premir o gatilho...
Não quero saber que depois caia de boca. Estou farta de negativismos e de maus presságios. Estou farta de desculpar cada desistência prévia com o azar que sempre tive. Sim, tive azar. Muito azar mesmo. Mas não quer dizer que o volte a ter.
1,2,3, vou nascer outra vez!(e desta vez vou nascer optimista)
É mesmo preciso nascer outra vez, desde que me lembro de pensar que tenho uma tendência suicida para o pessimismo, e na "era da depressão" é mesmo igual a premir o gatilho...
19 September, 2008
Fé
"Fé é acreditar na ausência de provas"
Reencontrei a minha. A Fé. Não por ausência de provas, antes fosse. Tenho fé em Deus (ainda me soa tão estranho dizer isto, ao fim de 10 anos a negá-lO com todas as forças), mas principalmente tenho fé em mim. Sabia que tinha perdido a fé em Deus. Mas não me tinha apercebido que também tinha perdido a fé em mim.
É engraçado de uma forma sádica, vendo bem. Como podemos chorar e amaldiçoar os Céus por ninguém nos ver, quando no fundo e sem sequer nos apercebermos achamos que não merecemos ser vistos. Hoje sei que sou especial (perdoem-me o chavão), não por ser mais bonita, mais inteligente, mais forte, mais alguma coisa que os outros, mas porque sou eu. Porque sou especial à minha maneira, porque a minha existência tem um propósito, e porque não perdi a minha sparkle.
E isto sim, isto é importante. Chega de revolta, não há tempo para isso, e se há razões, só as do passado. E o passado já não existe.
Gosto de mim. Permiti-me isso, finalmente.
Mas por muito que acredite em mim e em Deus, há coisas que não merecem crédito. Não duvido que a história se repita (ou tente repetir), sinto no meu âmago que não há finais definitivos enquanto o coração bate e estou farta de tentar ignorar a força do sexto sentido.
Sim, sinto-o. Sim, sei-o.
Mas já não o quero.
Uma coisa é acreditar em Deus, outra é esperar milagres.
O destino tem prazo de validade.
Reencontrei a minha. A Fé. Não por ausência de provas, antes fosse. Tenho fé em Deus (ainda me soa tão estranho dizer isto, ao fim de 10 anos a negá-lO com todas as forças), mas principalmente tenho fé em mim. Sabia que tinha perdido a fé em Deus. Mas não me tinha apercebido que também tinha perdido a fé em mim.
É engraçado de uma forma sádica, vendo bem. Como podemos chorar e amaldiçoar os Céus por ninguém nos ver, quando no fundo e sem sequer nos apercebermos achamos que não merecemos ser vistos. Hoje sei que sou especial (perdoem-me o chavão), não por ser mais bonita, mais inteligente, mais forte, mais alguma coisa que os outros, mas porque sou eu. Porque sou especial à minha maneira, porque a minha existência tem um propósito, e porque não perdi a minha sparkle.
E isto sim, isto é importante. Chega de revolta, não há tempo para isso, e se há razões, só as do passado. E o passado já não existe.
Gosto de mim. Permiti-me isso, finalmente.
Mas por muito que acredite em mim e em Deus, há coisas que não merecem crédito. Não duvido que a história se repita (ou tente repetir), sinto no meu âmago que não há finais definitivos enquanto o coração bate e estou farta de tentar ignorar a força do sexto sentido.
Sim, sinto-o. Sim, sei-o.
Mas já não o quero.
Uma coisa é acreditar em Deus, outra é esperar milagres.
O destino tem prazo de validade.
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