Primeiro perseguiu a barata com uma sanha indescritível, um misto de emoção e medo, acertando-lhe finalmente uma paulada que a fez cair no lavatório, abrindo à pressa a torneira com a pressão máxima, e vendo depois a água a subir, o ralo sem abertura suficiente para escoar toda a água à rapidez necessária. A barata tentava nadar, e ele tentava acertar-lhe com o jacto da torneira, submergindo-a temporariamente, e deixando-a suficientemente confusa para perder as forças e se deixar levar, aos círculos, pela força centrífuga que fazia a água ao descer semi-lentamente pelo ralo. Irritou-se com a barata por dar tanta luta. "Deixa-te morrer de uma vez". Noutra altura teria apreciado uma barata combativa, mas não o suficiente para a deixar viver. Apenas o suficiente para lhe dar uma pseudo oportunidade. Para deixar toda a água escoar. E para quando ela pensasse que tinha conseguido, lhe deitar novo jacto de água e sentir o seu desespero por o pesadelo não ter acabado, afinal.
Não lhe dava propriamente prazer, este jogo sádico com a barata. A partir do momento em que ela caía na pia, estava à sua mercê. Nunca iria vencer. Se conseguisse começar a subir levaria nova paulada e ou morreria ou continuaria em jogo. Não tinha qualquer hipótese. Mas não se pode dizer que ele tivesse qualquer prazer no processo todo. Não a torturava, não lhe arrancava as patas todas uma a uma. Simplesmente esperava que ela perdesse as forças. Talvez fosse demasiado cobarde para lhe dar o golpe de misericórdia. Mas não era prazer sádico, isso não.
Pelo contrário, sentia-se completamente anestesiado a partir do momento em que a barata caía dentro da pia. Ela não poderia sobreviver. Era uma praga. Não trazia nada de bom. Era nojenta. E ele ia abrindo e fechando a torneira, vendo-a debater-se, farto do tempo que estava a demorar até ela desistir.
Depois pensou em deus. Ou Deus. E sentiu-se barata. Questionou-se se deus seria assim tão indiferente na altura de o levar. Se o faria com uma chinelada, de choque, à bruta, acidente de carro imperdoável ou coisa que o valha. Ou se ficaria, anestesiado, a vê-lo estrebuchar com um cancro ou equivalente, depois de lhe ter dado uma forte paulada seguida de afogamento, sem hipótese. Questionou-se se teria direito a pedir misericórdia, como criatura inferior, depois de ter sido ele próprio tão pouco misericordioso com uma criatura inferior. Depois fartou-se, bebeu um chá com cheirinho e foi dormir, feliz por ter, aparentemente, uma casa livre de bichos.
13 June, 2014
15 March, 2014
Second hand smoke
I looked at
you and didn’t immediately recognize you, but once I did, my toes curled, my
tongue dried, my heart raced. And honey, stop being an egomaniac. It wasn’t
because I love you. It was because I loathe you.
E assim, I can relate. E vamos lá a clarificar esta merda.
Eu não sou de ódios. Sou de aversões extremas temporárias, se assim lhes
quiseres chamar. Quero eu. Mas depois a cena – seja o que for – geralmente passa,
e dou por mim, tipo hippie, a desejar o melhor e muita luz na vida da pessoa em
questão. As coisas dão merda, às vezes. E quando digo “coisas”, não o faço no
estilo Bridget Jones. Não estou a falar de coisas man-woman and the like.
Coisas são coisas, amorosas, amigadas, de trabalho, seja do que for. Coisas que
achavas que iam resultar e te rebentaram na cara. Acontece. Graças a Zorg, como
dizia no teatro, felizmente é raro. Mas acontece. E a gente sabe que sim.
“Every
ending is a little death”. Tão verdade. E depois há toda a cena
irritantemente real dos estadios, negação, raiva, negociação, e afins. Mas eu
sempre disse, que okay, magoem-me à vontade se for sem intenção. Agora, se forem
propositadamente filhos da puta, sendo que eu não vos fiz mal nenhum, não vos
difamei, não vos prejudiquei de forma nenhuma em termos de trabalho, me limitei
a ser estupidamente ingénua, e isso que eu saiba ainda não é ofensa, e fizerem
questão de me atacar, principalmente insultando a minha inteligência achando
que eu “não vou perceber”… Então… esta seria a parte em que eu iria sugerir uma
qualquer vingança terrível. Não o vou fazer, tenciono ser irritantemente
profissional quando for caso disso, e quando não o for, tenciono ser irritantemente
humana. Portanto, darling, ou me explicas o porquê de seres tão descaradamente
mete-nojo, ou te resumes ao silêncio e fazes de conta que não fizeste a
grandessíssima merda que fizeste, pois aqui a gaja knows better than lixar-te,
mas a verdade é que passas oficialmente a não ter moral para abrir a matraca.
Okay…? Okay.
14 February, 2014
Roses are red, violets are blue, I'm a massive idiot and maybe so are you
Uma vez quando estava praí no 11º ano fiz algo que tinha jurado nunca fazer, e que jurei nunca mais fazer. Comecei a "andar" - não tenho saudades nenhumas desta definição idiota - com um rapaz enquanto gostava de outro. Farta de andar há um ano a contar quantas vezes ele olhava para mim nos intervalos e a escrever cenários hipotéticos no diário (cringe), sem a coisa ir a lado nenhum - em grande parte porque ele era um atado e eu tinha demasiado medo de ser rejeitada para lhe dizer que gostava dele, segui o conselho das minhas amigas "experientes" e lá disse que sim ao rapaz "giro e popular". Gostava de saber se o cenário de começar com alguém para esquecer outra pessoa alguma vez resulta. Comigo não resultou, sempre soube que não resultaria, e das demasiadas vezes em que eu fui o "alguém" usado para esquecer outra pessoa, quando já tinham idade para ter juízo, também não resultou.
Porque é que as pessoas insistem em repetir estes comportamentos injustos e egocêntricos? Porque é que não têm a decência de esperar que lhes passe a pancada pela outra pessoa - leve o tempo que levar - antes de andarem a meter pobres coitados inocentes ao barulho? Porque é que têm um pavor tão grande a estarem sozinhas? Caramba, se estou farta de conversas de gente farta de estar sozinha. Eu adoro estar sozinha. Gosto da minha companhia e farto-me de rir comigo. Tenho medo de gostar tanto de estar sozinha que já não sei estar de outra maneira. A ideia de ter de passar tempo com alguém de quem não gosto faz com que literalmente me custe respirar, e no entanto as pessoas preferem este cenário ao "horror" de estarem sozinhas. Não entendo.
No 11º ano ainda consegui estar duas semanas com o rapaz, sempre a sentir-me uma mentirosa da pior espécie. Ok, ele nem gostava assim tanto de mim, mas eu nem lhe dei hipótese para isso. No dia em que acabámos, completamente enojada com o que tinha feito, fui basicamente declarar-me ao outro, ou vai ou racha, não tenho paciência para mais um ano sem tu saberes que eu existo. Não foi nem rachou, o gajo levou o tempo todo a murmurar incompreensivelmente, quando me fartei e lhe perguntei preto no branco se gostava de mim respondeu-me "talvez" (gozo do caraças) e levei o resto dos dois anos do liceu num vai-não vai ridículo que acabou de forma mais ridícula ainda.
Eu sei perfeitamente onde vai dar forçar-me a estar com alguém. Talvez possa resultar, se com o tempo nos formos habituando à pessoa, até chegar o dia em que nos apercebemos que a amamos e... Oh, nem consigo acabar de escrever isto sem desatar a rir. A única coisa que pode acontecer aqui é passados 3 dias me sentir completamente sufocada e sem paciência, e a pessoa acabar a ressentir-me, e com razão.
Dizia eu que era imune à porcaria do dia dos namorados. E é suposto. Gosto mesmo de estar sozinha. Não tenho medo de morrer sozinha. Toda a gente morre sozinha, mesmo que morra de mão dada com o grande amor da sua vida. Mesmo que ele morra no mesmo instante. Mas a experiência de morrer é individual. Pessoal e intransmissível. Toda a gente morre sozinha. Tenho medo de morrer sem saber o que é amar e ser correspondida, ao mesmo tempo, pela mesma pessoa. Mas não tenho medo que levem anos até isso acontecer. Por isso é suposto eu não fazer coisas do tipo andar aos beijos e a olhar as estrelas com alguém, na madrugada do dia dos namorados, só porque descobri que esse alguém sempre teve uma "cena" por mim e subconscientemente estou farta de ninguém me achar especial. E afinal, que hipocrisia a minha. Se já houve tantos "ninguém" que o acharam. E eu é que escolho sempre mal. Ou estrago tudo. Ou... Ainda bem que as aulas começam segunda-feira, que eu estou bem é com a cabeça nos livros, sem tempo para magoar os outros e a mim própria. Raios partam o dia dos namorados.
Porque é que as pessoas insistem em repetir estes comportamentos injustos e egocêntricos? Porque é que não têm a decência de esperar que lhes passe a pancada pela outra pessoa - leve o tempo que levar - antes de andarem a meter pobres coitados inocentes ao barulho? Porque é que têm um pavor tão grande a estarem sozinhas? Caramba, se estou farta de conversas de gente farta de estar sozinha. Eu adoro estar sozinha. Gosto da minha companhia e farto-me de rir comigo. Tenho medo de gostar tanto de estar sozinha que já não sei estar de outra maneira. A ideia de ter de passar tempo com alguém de quem não gosto faz com que literalmente me custe respirar, e no entanto as pessoas preferem este cenário ao "horror" de estarem sozinhas. Não entendo.
No 11º ano ainda consegui estar duas semanas com o rapaz, sempre a sentir-me uma mentirosa da pior espécie. Ok, ele nem gostava assim tanto de mim, mas eu nem lhe dei hipótese para isso. No dia em que acabámos, completamente enojada com o que tinha feito, fui basicamente declarar-me ao outro, ou vai ou racha, não tenho paciência para mais um ano sem tu saberes que eu existo. Não foi nem rachou, o gajo levou o tempo todo a murmurar incompreensivelmente, quando me fartei e lhe perguntei preto no branco se gostava de mim respondeu-me "talvez" (gozo do caraças) e levei o resto dos dois anos do liceu num vai-não vai ridículo que acabou de forma mais ridícula ainda.
Eu sei perfeitamente onde vai dar forçar-me a estar com alguém. Talvez possa resultar, se com o tempo nos formos habituando à pessoa, até chegar o dia em que nos apercebemos que a amamos e... Oh, nem consigo acabar de escrever isto sem desatar a rir. A única coisa que pode acontecer aqui é passados 3 dias me sentir completamente sufocada e sem paciência, e a pessoa acabar a ressentir-me, e com razão.
Dizia eu que era imune à porcaria do dia dos namorados. E é suposto. Gosto mesmo de estar sozinha. Não tenho medo de morrer sozinha. Toda a gente morre sozinha, mesmo que morra de mão dada com o grande amor da sua vida. Mesmo que ele morra no mesmo instante. Mas a experiência de morrer é individual. Pessoal e intransmissível. Toda a gente morre sozinha. Tenho medo de morrer sem saber o que é amar e ser correspondida, ao mesmo tempo, pela mesma pessoa. Mas não tenho medo que levem anos até isso acontecer. Por isso é suposto eu não fazer coisas do tipo andar aos beijos e a olhar as estrelas com alguém, na madrugada do dia dos namorados, só porque descobri que esse alguém sempre teve uma "cena" por mim e subconscientemente estou farta de ninguém me achar especial. E afinal, que hipocrisia a minha. Se já houve tantos "ninguém" que o acharam. E eu é que escolho sempre mal. Ou estrago tudo. Ou... Ainda bem que as aulas começam segunda-feira, que eu estou bem é com a cabeça nos livros, sem tempo para magoar os outros e a mim própria. Raios partam o dia dos namorados.
01 February, 2014
Now What?
Disseram-me uma vez que eu escrevia num “estilo intimista”.
Não tenho palavras para explicar o quanto odeio esta expressão. Nem sei
explicar bem porquê, mas odeio. Lembra-me gente pretenciosa (coisa engraçada, odeio sentir que uma palavra está mal escrita, nas "pretensioso" parece ser português do Brazil, portanto)...a dizer falsidades pretenciosas,
num bar pretencioso, num ambiente “intimista” (argh), à luz das velas. Não. Não
sou eu. Também já me disseram que eu tenho um “estilo confessional”. Não tenho
argumentos. Não escrevo nas virtualidades nenhum segredo obscuro que pudesse
confiar a um padre, mas também não confio segredos obscuros a padre nenhum. A
alma nenhuma. A verdade é que se há estilo a ser definido, o estilo é
egocêntrico. Sem desculpas (e não será isto uma desculpa? Diferencio sempre
desculpa de justificação e esqueço-me de que para a maioria das pessoas, as
duas são equivalentes). Escrevo para mim, de forma menos aberta do que faria a
um diário, mas para mim, de qualquer das formas. Se alguém ler e se identificar com
alguma coisa, óptimo. Se não, tanto faz. Tenho de ser egocêntrica a escrever
porque socialmente levo tanto tempo a ouvir os outros falar que não me sobra
tempo para dizer tudo o que quero dizer. E se sobrasse, muito do que me apetece
dizer não interessa verdadeiramente a ninguém, e eu sei-o.
Escrever é mais barato e mais eficaz do que psicanálise e
afins, e se nunca passei definitivamente para o lado negro, é sem dúvida à
escrita que o devo.
Mas… Mas recentemente, sinto-me cada vez mais perdida na
minha escrita. Não sei escrever quando estou “bem”. Escrevo para desabafar,
para cuspir para o papel tudo o que não posso efectivamente cuspir para a cara
de alguém, ou de deus. Mesmo quando escrevo sobre personagens fictícias, só as
sei construir ou iguais a mim ou o exacto oposto. Escrevo para me acalmar, para
tentar chorar sozinha em vez de em frente a toda a gente (raramente choro
sozinha. A pressão de não o poder fazer, por estar gente a ver e a julgar-me, é
o que me faz fazê-lo).
Agora, não sei sobre o que escrever. Continuo com mil medos.
Continuo com plena noção de mil coisas que podem correr mal. Mil e uma, vamos.
Mas mudei tanto que não sei voltar a pegar em nada do que a minha pessoa fez
antes de mim. Sinto-me como uma selvagem que foi levada para a sociedade e
passa os dias contemplando a sua imagem no espelho, fascinada. Será que toda a
gente fica tão abismada por ter mudado? Quer dizer, eu sempre soube que
eventualmente aconteceria. Que um dia quereria ser alguém com mais que fazer do
que chorar porque o A gosta da ex-namorada, ou o B nunca quis verdadeiramente
conhecer-me. Talvez a diferença seja que os outros me veêm finalmente como
responsável, como “estável”. E eu, que sempre me vi pelos olhos dos outros, não
preciso finalmente deles, mas concordo com eles. Sou estável. Sou saudável. Não
tenho piada nenhuma. Retenho um resquício do turbilhão que era, do turbilhão
que nenhum conseguiu amar, mas que amava eu, e eu também tenho de contar para
alguma coisa.
Infelizmente, isto não se traduz num escrito minimamente interessante, mas por muito que em tempos tenha adorado a melancolia e a desperança, hoje prefiro ser feliz do que interessante. Principalmente, e aqui vai o resquício, porque (quase) ninguém me achou suficientemente interessante para me querer fazer feliz.
24 December, 2013
Letter to a John contemplating life backwards
Apercebi-me de uma coisa. Apercebi-me desta coisa vergonhosamente
tarde, porque é tão óbvio.
Tu cresceste depressa demais.
E eu? Eu pensava que nunca mais crescia. Agora apercebo-me
também de que cresci na altura certa. Ou pelo menos na altura que para mim é a
certa. Tive a inocência e a revolta da adolescência, tive a depressão e a
desorientação dos “early twenties”, e agora tenho finalmente a responsabilidade
(e o gosto por ela) dos “mid/late twenties”. Estou mais calma, finalmente, só
veio agora, não vou questionar porque não veio mais cedo, mas fico feliz por
finalmente ter vindo, fico mesmo. Mas eu tive fases, eu tive, de certa forma,
uma evolução, que é o que se espera do ser humano, pelo menos no meu ponto de
vista. Talvez o teu fosse diferente, talvez para ti o importante fosse atingir
cedo um certo patamar. Talvez nem tenhas pensado nisso, simplesmente aconteceu.
Mas a verdade é que tu estás absolutamente igual. Igual a sempre. E não se pode
dizer que tenhas estagnado, porque tu simplesmente fizeste fast-forward,
saltaste por cima das idiotices todas para chegar aqui. E agora não sabes o que
raio hás-de fazer contigo, não queres cometer o pecado capital de te perderes
agora porque nem quando tinhas idade para te perderes achaste que tinhas idade
para te perderes. Eu acho que temos sempre idade para nos perdermos, mas tu
achas-me uma perdida e não me irias ligar nenhuma. Mas digo-te, já não sou uma
perdida. É tão claro que toda a gente vê, e às vezes achamos que mudámos mas
ninguém repara, e ficamos na dúvida, se calhar só queremos é convencer-nos de
que mudámos. Mas foi, e por muito que eu o quisesse (em parte mais por ter medo
de que nunca viesse a acontecer do que por estar assim tão mal como
estava), é estranho. É bittersweet, ter
de assumir que nos tornámos pessoas estáveis quando sempre nos vimos como
everything but. É como assumir uma identidade completamente nova, uma que não
estávamos a prever, ou aliás, que até estávamos, mas não tão cedo. A mudança é
sempre gradual, mas o momento em que te apercebes dela é sempre repentino. Eu
fui em frente porque teve de ser assim. Não imagino como seja o oposto, mas se
tiveres coragem de descobrir, verás que sobrevives.
14 December, 2013
Humans vs. Humanity
Sometimes, I have this voice screaming inside my head. Most of the time it's saying "Oh, SHUT THE FUCK UP!". Most of the time I keep it inside. I'm too politically correct for my own good. We all change. We all evolve. We'd be damned if we didn't. But I keep bumping against this resistance, this inabillity to hurt those who aren't afraid of hurting me. I've been saying this forever. When treated with disrespect, I'm still afraid to be disrespectful. I have changed so much, and maybe the main thing I've learned is to stop apologizing for being who I am. Who I am is none of your damn business. Yet it always affects me when you say I should be someone else. I should live my life a different way. Why? If you wouldn't be happy living my life, why should I be happy living yours? And isn't happiness all that counts, really? Potatoe, fucking potato. If you're that smart, should I really have to spell it out for you? Tell you the obvious? That's the thing you don't get. Being smart is being humble. Is admitting you know nothing, in the big scheme of things, is knowing you still have a lot to learn and that being open minded is more than just saying you are. I've never had any trouble putting myself in other people's shoes. In trying to understand why they were acting the way they were. Granted, I didn't always agree. But I could pretty much always see their reasons. I always liked analysing people. But not in a bad way. And I was always pissed when they couldn't "get" me. When they didn't even seem to make an effort to understand why I was acting the way I was. Worse, when (as someone told me in that ever hurtful brutally honest fashion), they "didn't want to accept" me. Now. I finally understand that I can't make them. I can't make them like me (this one I always knew), I can't make them accept me, and (newsflash!) I can't make them want to try to understand me. However, I can't stop searching for reasons to explain people's unwillingness to care. And I obviously don't mean they should dive into the other person's problems or go out of their way to try and help, I mean I just want to understand why they don't even feel the need to feel where the person is coming from. Because to me it's like a basic need.
A recent study showed that most young people lack empathy. Another study showed that when asked who would they save if a dog and a person were drowning, most people would save the dog. I believe these are related. I've spend so much time discussing this. I've been accused of not loving animals. And this is when I shoul've said "Oh, shut the fuck up!". I DO love animals. If a dog was drowning, I wouldn't stand by and laugh manically while it drowned. Of course not. I would try to save it. But if a human being was drowning right next to the dog, that would be a no-brainer. It baffles me how people can feel so little for their own species. Intrigued, I dug a little deeper and searched for answers. Someone said "well, if the person was a friend, I would save him/her. But if it was a stranger, I would save the dog, since I had no feelings towards that person.". Again, SHUT THE FUCK UP! To me, this is basic lack of empathy. Something's missing from your brain, darling. A dog is a living being, it feels pain, and joy, and all that, but it doesn't have the dreams, goals, plans that a person has. AND... If you were drowning in a lake and a (choose animal of your preference) was watching, do you think it would lift a finger (paw) to save you? Seriously? C'mon. I love my cat. I talk to her like a typical crazy cat lady. I'll be devastated when she dies. But I would never neglect a human being over her (notice that I call her a her and not a "it", that's how much I care for her). What if your sister/mother/daughter/lover died because someone else chose to save a dog instead of them? Would you still agree with their choice?
Maybe I'm wrong here. I'm not conceited to the point of thinking every one of my visions/choices/values is the universal truth. But it confuses me. It really does. And it also scares me. And it also tells me that I should stop caring for what some people say, as they certainly are the type to choose a dog over a human, and so it's not their fault they can't put theirselves in my shoes and try to understand me. It's probably just some mutated gene affecting many in my generation or something. Something is making humanity less human.
A recent study showed that most young people lack empathy. Another study showed that when asked who would they save if a dog and a person were drowning, most people would save the dog. I believe these are related. I've spend so much time discussing this. I've been accused of not loving animals. And this is when I shoul've said "Oh, shut the fuck up!". I DO love animals. If a dog was drowning, I wouldn't stand by and laugh manically while it drowned. Of course not. I would try to save it. But if a human being was drowning right next to the dog, that would be a no-brainer. It baffles me how people can feel so little for their own species. Intrigued, I dug a little deeper and searched for answers. Someone said "well, if the person was a friend, I would save him/her. But if it was a stranger, I would save the dog, since I had no feelings towards that person.". Again, SHUT THE FUCK UP! To me, this is basic lack of empathy. Something's missing from your brain, darling. A dog is a living being, it feels pain, and joy, and all that, but it doesn't have the dreams, goals, plans that a person has. AND... If you were drowning in a lake and a (choose animal of your preference) was watching, do you think it would lift a finger (paw) to save you? Seriously? C'mon. I love my cat. I talk to her like a typical crazy cat lady. I'll be devastated when she dies. But I would never neglect a human being over her (notice that I call her a her and not a "it", that's how much I care for her). What if your sister/mother/daughter/lover died because someone else chose to save a dog instead of them? Would you still agree with their choice?
Maybe I'm wrong here. I'm not conceited to the point of thinking every one of my visions/choices/values is the universal truth. But it confuses me. It really does. And it also scares me. And it also tells me that I should stop caring for what some people say, as they certainly are the type to choose a dog over a human, and so it's not their fault they can't put theirselves in my shoes and try to understand me. It's probably just some mutated gene affecting many in my generation or something. Something is making humanity less human.
27 November, 2013
The cuckoo that I used to love
Começa sempre da mesma maneira.
“Oh menina,
gabo-lhe o gosto…!”
“Cala-te,
sargenta”, susurro dentro da minha mente. Não me fascinam bebés fofinhos nem
salas de parto menos fofinhas, com gente a dar à luz e a borrar-se ao mesmo tempo, não te posso dizer tal blasfémia, mas é assim,
nem me apetece ficar ainda mais assustada com o momento de trazer o meu
hipotético bebé fofinho ao mundo. Gente a bater com a cabeça nas paredes não me
faz confusão, principalmente porque desconfio que fora do ecrâ dos tv movies
não haja muita gente a bater realmente com a cabeça nas paredes. Assustam-me
mais os loucos que se fazem de sãos e chamam loucos aos outros para desviar as
atenções do que os que estão assumidamente confinados entre quatro paredes. O gajo
que mata a tiro a família toda nos subúrbios nunca é descrito pelos vizinhos
como maluco. Era sempre um gajo normal. São todos gajos normais.
“Bom, vá lá.
O paciente é praticamente da sua idade. Foi internado na sequência de uma
overdose de benzodiazepinas, tentativa de suicidio apesar de ele negar. Não
está colaborante e não quer aceitar ajuda, mas está perfeitamente consciente e
não é fácil lidar com ele. A enfª Silva vai consigo, ele costuma ser muito
insolente, tenha cuidado.”
Esta mulher fala como se tivesse engolido a folha de registos. Sorrio à Silva, que revira os olhos e abre a porta, diz que vai fumar um cigarro e que vem já, eu que não me assuste que ele pesa menos de 50kgs, eu dou conta dele. Na pior das hipóteses tenta apalpar-me.
Esta mulher fala como se tivesse engolido a folha de registos. Sorrio à Silva, que revira os olhos e abre a porta, diz que vai fumar um cigarro e que vem já, eu que não me assuste que ele pesa menos de 50kgs, eu dou conta dele. Na pior das hipóteses tenta apalpar-me.
Espreito
pela porta aberta, e uma gargalhada ecoa pelo quarto triste. “Mary Jane!!!
Hahaha olha para ti! Que merda de bata é essa? Isso não é nada sexy!”. Congelo.
Que porra é que eu faço agora? Porque é que me havia de calhar este, de entre
todos os loucos e demasiado sãos que me podiam vir parar às mãos? Dou um passo
atrás e fico a olhar para ele como se eu fosse uma nova-rica cujo jipe avariou
no meio da selva africana e tivesse o leão, imponente, a olhar para mim de
olhos a brilhar, antecipando a refeição. Nem 50kgs tem, de facto. A pele
acizentada, os olhos encovados e as bochechas entraram-lhe pela cara adentro.
Parece a imagem final daquelas aplicações manhosas para iphone em que nos
envelhecem 50 anos. Tenho pena, por um momento, e depois os meus olhos
encontram os dele. Sinto frio, o mesmo frio de sempre ao perceber o brilho
maléfico do costume. Não digo nada, não porque não consiga falar, mas porque
não há nada para dizer. O desfecho era mais que previsível, a presença daquele
olhar frio naquele quarto mais frio ainda era uma questão de tempo, tal como a
sua eventual saída com um carimbo a dizer “caso perdido” (se ele existisse),
nova estadia, provavelmente a última, até que aqueles olhos não voltem mais
àquele quarto, nem a nenhum. Não digo nada, já disse tudo, demasiadas vezes, demasiado tempo, tendo sempre como resposta uma vulgaridade e uma gargalhada. Não era negação, era admissão e indiferença. A única pessoa com quem vale a pena falar é com o
médico, mas não me compete. Não tenho voz e mesmo que a tivesse não me é
permitido fazer autópsias. E se fosse, dir-me-iam que o paciente estava vivo.
Não está. Não está há muito tempo. Morreu de ódio, primeiro a ele próprio,
depois a todos os outros, e depois ainda mais a ele próprio. A degradação
física é post-mortem, retardada pelos comprimidos cor-de-rosa, mas inevitável. “Mj,
o gato comeu-te a língua? És o meu anjo da guarda, vai comprar um JP para a
gente, bora beber. Não acredito que ainda estás fodida comigo!”.
“Isto está
errado. Deontologicamente”, gaguejo, e dou meia volta, rodando a chave na fechadura e confirmando 3 vezes, enquanto sucessivos “Mary Janeeeee” escapam através da
madeira . Vou à procura da sargenta, digo-lhe que conheço o paciente e que não
acho que contactar com ele seja terapêutico, e vou fumar um cigarro lá fora.
Uma voz
abafada surge “Menina, tem lume?”. Estendo-lhe o clipper com um meio sorriso.
Impecavelmente vestida, quase parecendo mais nova do que é, um tremor
ligeiríssimo espalha-se-lhe das pernas até aos cantos dos lábios. “As visitas
são às 16h?”, só para fazer conversa, porque deve estar farta de saber.
Respondo que sim, e fico a olhar para as nuvens lá ao fundo, que ameaçam chuva.
Apetece-me perguntar-lhe se a mancha esquisita do sofá da sala chegou a sair,
apetece-me pedir desculpa por ter queimado um tacho uma vez. Apetece-me dizer
que a culpa não é dela, que pode não ter sido uma mãe perfeita, mas ninguém o
é, apetece-me dar-lhe os pêsames por ter perdido o filho sem o perder, mas não
quero que ela pense que eu sou uma paciente com uma bata, a brincar às enfermeiras. Aliso a
bata, esboço novo meio sorriso, e volto para dentro, feliz por ter sobrevivido
(quase) sem sequelas, por não ser eu dentro de um quarto triste, morta sem
estar enterrada. Apetece-me reunir os outros malucos todos e dizer-lhes que
mais vale serem malucos com alma do que terem-na perdido como o gajo do quarto
13, mas não quero chumbar no estágio.
À noite no
café, perguntam-me “Então, os malucos assustaram-te muito?”.
“Nem imaginas…”.
24 May, 2013
Farewell
Névoa. É tudo o que tenho em mim neste momento. Nem prazer, nem mágoa. Numb, como eu lhe chamava. Numb, como eu queria ser e estar.
Eu, a chorona, a emocional, a irracional, não derramei uma única lágrima. Dizem as más línguas que me tornei insensível. Eu digo que sim, têm razão. Inicialmente queria dizer "não, simplesmente cresci". E não é crescer tornarmo-nos insensiveis, no fundo? Largar as lágrimas e a fraqueza? Mas não, não é politicamente correcto dizê-lo.
Por um lado sinto-me orgulhosa, inchada. Ele vai-se embora e eu, estóica. Faço piadas sobre ir trabalhar para a Máfia, pisco o olho. For the untrained eye não estou a sofrer minimamente com isto. A realidade é um pouco diferente, mas não tanto assim.
Foco-me no bom. E há-o. Gostámos um do outro, e as coisas acabaram, porque não eram sustentáveis. Porque ele vai para o lado (quase) oposto do Globo. E eu, que já quase me tinha convencido que estava demasiado doente para conseguir algo que não fosse destrutivo, vi-me com uma quase-coisa. Uma quase-coisa normal, saudável apesar de tudo, simples. Uma quase-coisa sem frustrações, sem mágoas, sem complicações. Tínhamos tudo para dar certo, mas a vida não estava para aí virada. Há uma parte de mim, admito-o, que pensa, claro que isto tinha que acontecer, agora que finalmente encontro algo que não soa a falso, a vida manda-o para 5000km de distância. Mas não quero ir por aí. Prefiro pensar que encontrei algo que não soa a falso, ponto. Não vou ficar à espera dele. Nem conto que ele fique à minha. Tento ser adulta e dizer coisas positivas, e por mim ele nunca vai saber o que isto realmente me custa, embora eu saiba que ele sabe. E parei de chorar. EU! Há coisas fantásticas...
Mas porra, vou ter saudades. Do que foi, e principalmente do que não chegou a ser.
Eu, a chorona, a emocional, a irracional, não derramei uma única lágrima. Dizem as más línguas que me tornei insensível. Eu digo que sim, têm razão. Inicialmente queria dizer "não, simplesmente cresci". E não é crescer tornarmo-nos insensiveis, no fundo? Largar as lágrimas e a fraqueza? Mas não, não é politicamente correcto dizê-lo.
Por um lado sinto-me orgulhosa, inchada. Ele vai-se embora e eu, estóica. Faço piadas sobre ir trabalhar para a Máfia, pisco o olho. For the untrained eye não estou a sofrer minimamente com isto. A realidade é um pouco diferente, mas não tanto assim.
Foco-me no bom. E há-o. Gostámos um do outro, e as coisas acabaram, porque não eram sustentáveis. Porque ele vai para o lado (quase) oposto do Globo. E eu, que já quase me tinha convencido que estava demasiado doente para conseguir algo que não fosse destrutivo, vi-me com uma quase-coisa. Uma quase-coisa normal, saudável apesar de tudo, simples. Uma quase-coisa sem frustrações, sem mágoas, sem complicações. Tínhamos tudo para dar certo, mas a vida não estava para aí virada. Há uma parte de mim, admito-o, que pensa, claro que isto tinha que acontecer, agora que finalmente encontro algo que não soa a falso, a vida manda-o para 5000km de distância. Mas não quero ir por aí. Prefiro pensar que encontrei algo que não soa a falso, ponto. Não vou ficar à espera dele. Nem conto que ele fique à minha. Tento ser adulta e dizer coisas positivas, e por mim ele nunca vai saber o que isto realmente me custa, embora eu saiba que ele sabe. E parei de chorar. EU! Há coisas fantásticas...
Mas porra, vou ter saudades. Do que foi, e principalmente do que não chegou a ser.
26 January, 2013
Today I wrote something good. Lately, I haven't. I won't publish what I wrote. Not right now. I need to make it perfect. See, I always write whatever comes out. I don't write. I vomit. But not this thing. This thing is going to be perfect.
I'm not a perfectionist. I like flaws, I love them. And I'm always lost between what is and what should be. Today is no different. Today I was sent a love letter. I'm used to love letters. Really. People send me love letters, and I laugh at them, like the bicth I am. Like the bitch I am to all but to those who deserve my bitchiness. And then I turn around and nullify myself by wanting someone who treats me like shit. Obviously. I am as shitty as they make me, I am as undeserving as I choose to be.
"A loving person often tends to attract all the emotionally messed up people who are looking to get the ego boost and security of feeling loved without having to do anything or feel anything in return."
It's about time I'm a loving person towards myself. Me, the only one who won't fuck me over. They only did because I let them.Enough. Stop being nice. Stop being stupid. Yell at them. FUCK YOU! Go and try the other girl. Just try the other girl. I've opened my eyes. I'll yell at you. I'm tired of getting mad to avoid you getting mad.
I'm not a perfectionist. I like flaws, I love them. And I'm always lost between what is and what should be. Today is no different. Today I was sent a love letter. I'm used to love letters. Really. People send me love letters, and I laugh at them, like the bicth I am. Like the bitch I am to all but to those who deserve my bitchiness. And then I turn around and nullify myself by wanting someone who treats me like shit. Obviously. I am as shitty as they make me, I am as undeserving as I choose to be.
"A loving person often tends to attract all the emotionally messed up people who are looking to get the ego boost and security of feeling loved without having to do anything or feel anything in return."
It's about time I'm a loving person towards myself. Me, the only one who won't fuck me over. They only did because I let them.Enough. Stop being nice. Stop being stupid. Yell at them. FUCK YOU! Go and try the other girl. Just try the other girl. I've opened my eyes. I'll yell at you. I'm tired of getting mad to avoid you getting mad.
13 January, 2013
No meio de todas as confusões, no fim de todas as que me valeram um sermão (merecidíssimo?) de meia hora - miúda, mas anulas-te porquê?- uma mensagem. Queria ter tido coragem para te beijar. Argh. Cringe worthy, a típica mensagem terrivelmente azeiteira, não fosse não o ser.
Portanto. Cinquenta mil dates, novamente as palavras cringe worthy, não sou boa no flirt, é por isso que bebo, cinquenta mil beijinhos em câmera lenta com esperança que se percebesse a intenção. Nada. Até que finalmente me desgraço, me declaro, e sou rejeitada (não era suposto- falei de ti às minhas amigas - ficaram super felizes- yada yada yada). Frito-me, quase que parecia um replay da pior de todas, mas não, bastou uma semana e uma tatuagem fatela no pescoço, e bye bye, finito, over it. Eu, que levo sempre um tempo vergonhoso a chegar ao "over it".
E agora, passados 10 meses e picos, ahhh queria tanto ter-te beijado! Are you fucking kidding me, pergunto. "Mas é verdade". Ok. E a maluca sou eu...! Não fosse isto vir de uma pessoa ridiculamente séria, séria no sentido em que não goza com os outros só porque lhe apetece... Nem sei. É too late e ambos o sabemos, e então para quê dizê-lo? Quando o próximo filho de puta hipotética se arrepender será, novamente, too late. O ego agradece, mas ao eu de nada serve.
Portanto. Cinquenta mil dates, novamente as palavras cringe worthy, não sou boa no flirt, é por isso que bebo, cinquenta mil beijinhos em câmera lenta com esperança que se percebesse a intenção. Nada. Até que finalmente me desgraço, me declaro, e sou rejeitada (não era suposto- falei de ti às minhas amigas - ficaram super felizes- yada yada yada). Frito-me, quase que parecia um replay da pior de todas, mas não, bastou uma semana e uma tatuagem fatela no pescoço, e bye bye, finito, over it. Eu, que levo sempre um tempo vergonhoso a chegar ao "over it".
E agora, passados 10 meses e picos, ahhh queria tanto ter-te beijado! Are you fucking kidding me, pergunto. "Mas é verdade". Ok. E a maluca sou eu...! Não fosse isto vir de uma pessoa ridiculamente séria, séria no sentido em que não goza com os outros só porque lhe apetece... Nem sei. É too late e ambos o sabemos, e então para quê dizê-lo? Quando o próximo filho de puta hipotética se arrepender será, novamente, too late. O ego agradece, mas ao eu de nada serve.
05 November, 2012
De repente cheira a autocarro. Dizem que o cérebro memoriza melhor os cheiros do que qualquer outra coisa. Que automaticamente associamos imagens e momentos a um certo odor. É por isso que nunca mais vou sentir o perfume do Boss Woman sem me lembrar de cabelos à foda-se, e que quase vomito com o cheiro a tinta fresca.
Cheira a autocarro por razão nenhuma. Nem sei a que é que os autocarros cheiram, de facto. Mas era aquele cheiro, porque me lembrei instantaneamente de visitas de estudo, desde a primária, em que ficava lá à frente com os professores a fazer mil e uma perguntas, até ao secundário, em que ia lá para trás com os miúdos fixes jogar ao verdade ou consequência, um sem-fim de verdades e gargalhadinhas que chamavam sempre a atenção aos professores para o que se estava ali a tentar passar.
Cheirava a autocarro e eu estava sentada à mesa com o meu amigo, numa daquelas conversas sem sentido em que descobrimos pólvoras e verdades universais nunca dantes reveladas, para depois concluirmos que estamos a gritar eureka sobre um tema que não interessa a ninguém. Ele vasculhava obcessivamente a caixa de mensagens do telemóvel da namorada, à espera de se desiludir por não se ter enganado. Eu fumava o caramelo de um charro, ouvindo as gotas de chuva assumindo o papel de pedras contra o telhado de zinco. Tínhamos de ir embora dali a 10 minutos, ele para ir buscar a não-adúltera de moto, e eu para empurrar a bicicleta empenada até casa, que era o meu plano original antes da chuva e do caramelo do charro.
Enquanto fazia uma força sobrehumana para me levantar da cadeira - juro que ela tinha criado tentáculos e me agarrava sem espaço de manobra, um tipo de Kraken de plástico e ferro - pensava "This is it. Este é um dos últimos momentos. Estamos aqui secos e quentinhos e daqui a breves instantes vamos estar lá fora encharcados, a correr como baratas tontas a tentar chegar a algum porto de abrigo antes de enregelarmos os ossos. É um momento cruel, saber que apenas dura o tempo suficiente para pensarmos nele e desaparecer é cruel. Tal como a vida, em que estamos apenas a tentar encontrar uma qualquer felicidade antes do fim inevitavél. É agridoce estar aqui a querer desesperadamente agarrar-me a este momento, sendo a única razão para o querer preservar o seu fim anunciado. Afinal, não estava errada. Momentos. São tudo o que temos. Quereremos durabilidades impossíveis, queremos felicidades ininterruptas. Mas só temos fragmentos de tempo. Até para respirar."
Culpo a minha mente voadora por estes pensamentos. Já os tinha metido no caixote do lixo há muito tempo. Agora fui lá buscá-los, envolvidos em comida podre. Talvez eles não pertençam no lixo comum. Talvez os possa reciclar. Usava-os como desculpa para o que me bastava mas não me preenchia, e nunca os vi como uma fonte de pensamento positivo, uma nova forma de ver o mundo. Os momentos, a ser tudo o que temos, não bastam. Não se ficarmos lá amarrados, como eu à cadeira.
Chego a casa encharcada mas feliz. Este momento vai durar mais do que um momento. Ainda cheira a autocarro. Singing in the rain.
Cheira a autocarro por razão nenhuma. Nem sei a que é que os autocarros cheiram, de facto. Mas era aquele cheiro, porque me lembrei instantaneamente de visitas de estudo, desde a primária, em que ficava lá à frente com os professores a fazer mil e uma perguntas, até ao secundário, em que ia lá para trás com os miúdos fixes jogar ao verdade ou consequência, um sem-fim de verdades e gargalhadinhas que chamavam sempre a atenção aos professores para o que se estava ali a tentar passar.
Cheirava a autocarro e eu estava sentada à mesa com o meu amigo, numa daquelas conversas sem sentido em que descobrimos pólvoras e verdades universais nunca dantes reveladas, para depois concluirmos que estamos a gritar eureka sobre um tema que não interessa a ninguém. Ele vasculhava obcessivamente a caixa de mensagens do telemóvel da namorada, à espera de se desiludir por não se ter enganado. Eu fumava o caramelo de um charro, ouvindo as gotas de chuva assumindo o papel de pedras contra o telhado de zinco. Tínhamos de ir embora dali a 10 minutos, ele para ir buscar a não-adúltera de moto, e eu para empurrar a bicicleta empenada até casa, que era o meu plano original antes da chuva e do caramelo do charro.
Enquanto fazia uma força sobrehumana para me levantar da cadeira - juro que ela tinha criado tentáculos e me agarrava sem espaço de manobra, um tipo de Kraken de plástico e ferro - pensava "This is it. Este é um dos últimos momentos. Estamos aqui secos e quentinhos e daqui a breves instantes vamos estar lá fora encharcados, a correr como baratas tontas a tentar chegar a algum porto de abrigo antes de enregelarmos os ossos. É um momento cruel, saber que apenas dura o tempo suficiente para pensarmos nele e desaparecer é cruel. Tal como a vida, em que estamos apenas a tentar encontrar uma qualquer felicidade antes do fim inevitavél. É agridoce estar aqui a querer desesperadamente agarrar-me a este momento, sendo a única razão para o querer preservar o seu fim anunciado. Afinal, não estava errada. Momentos. São tudo o que temos. Quereremos durabilidades impossíveis, queremos felicidades ininterruptas. Mas só temos fragmentos de tempo. Até para respirar."
Culpo a minha mente voadora por estes pensamentos. Já os tinha metido no caixote do lixo há muito tempo. Agora fui lá buscá-los, envolvidos em comida podre. Talvez eles não pertençam no lixo comum. Talvez os possa reciclar. Usava-os como desculpa para o que me bastava mas não me preenchia, e nunca os vi como uma fonte de pensamento positivo, uma nova forma de ver o mundo. Os momentos, a ser tudo o que temos, não bastam. Não se ficarmos lá amarrados, como eu à cadeira.
Chego a casa encharcada mas feliz. Este momento vai durar mais do que um momento. Ainda cheira a autocarro. Singing in the rain.
25 October, 2012
Optimismo a.k.a. medo do desconhecido.
Uma vez li em qualquer lado que "mais vale ser pessimista e ter uma surpresa do que ser optimista e ter uma desilusão". Gosto mais de frases feitas, clichés e lugares-comuns do que me orgulho de admitir, e tenho que reconhecer que me fez imenso sentido quando li.
Estou habituada a que o pior que pode acontecer aconteça sempre. Por azares do passado, primeiro. Depois talvez por já estar à espera. Por não quer que me apanhassem de surpresa novamente e se ficassem a rir. Depois disso, por tudo bater certo. Eu era o underdog, o bobo da corte, o bode expiatório para o humor negro dos deuses. Não dei à vida muita margem de manobra, é certo. Houve umas quantas vezes em que me quis forçar a ser optimista, mas no fundo no fundo continuava sempre à espera da tempestade de merda que inevitavelmente iria acabar por acontecer. Balbuciava palavras bonitas, era hippie temporária (quando fumava erva acreditava mesmo, por umas horas, que daquela vez iria ser diferente, que o mundo era simples e belo e que eu é que tinha sido, até ali, demasiado burra - tão burra - para me aperceber disso. E depois voltava a cair de prédios ou penhascos, enquanto se riam a centímetros de mim sem me tentar agarrar a mão ou o cabelo, e via que tinha tido, afinal, sempre razão. Optimismo é para os parvos. Ou para os sortudos. Eu nunca me encaixei em nenhuma das categorias. Como raio me pude esquecer disso?
Não, não estou aqui a reafirmar isso. Pelo contrário. Estou aqui porque me lembrei dos únicos tempos em que consegui, de facto, ser optimista. Ser a sério. E de como tudo me corria ridiculamente bem nessa altura. Meti na cabeça que a vida é demasiado curta para nos agarrarmos a ressentimentos e traumas. O que, vejamos, não é mentira nenhuma. Mas meti isto na cabeça mesmo a sério, entrei numa de go with the flow, não penses demais, não te chateeies demasiado, etc. etc. Durou dois meses. Dois meses mágicos em que não pensei demasiado, não me atrofiei, e fui estupidamente feliz. De repente era a femme fatale por quem todos se apaixonavam perdidamente, e a amiga fenomenal e boa onda com quem toda a gente queria partilhar o seu tempo. A minha felicidade era o maior afrodisíaco do mundo. Lembro-me de parar para pensar, rir estúpida e maníacamente como se tivesse descoberto a pólvora - a minha - e me ter interrogado como poderia ter sido, durante tanto tempo, uma anulação de mim própria. Um rascunho mal feito. Uma sátira.
Toda esta história culminou com gajos à porrada. Os que se apaixonaram por mim. Sem me querer armar em importante, mas foi uma batalha campal. Que rapidamente se virou contra mim. Sua putinha arrogante, gostas de quem afinal? De ninguém? O quê? Então e os sorrisinhos e as gargalhadas espontâneas que nos fizeram apaixonar? O quê, estava só a tentar ser feliz. És uma cabra, chegas aqui armada em heartbreaker, fode-te. E depois foram todos juntos beber imperiais. E eu estúpida, mas que raio foi isto, não gosto de nenhum. Estava só a dançar e a abanar os cabelos ao vento e a tentar ser feliz... Ah. Ok, estava a ser eu própria. Se calhar é por isso que nunca se apaixonaram a sério por mim, porque fico toda estúpida e atrofiada quando gosto de alguém. E quando sou eu própria, quando estou à vontade, é porque não gosto de ninguém. Quando se gosta de alguém nunca se está à vontade. Somos deficientes. Mongos.
Quero ser optimista. Quero tanto. Mas como raio é isso possível, se sabemos que sendo nós próprios, flaws and all, nos arriscamos a dar cabo de (quase) todos - e só queríamos o quase.
Here I go again. Parvinha, optimista às risadinhas. If it turns to shit, at least I had a good run - again.
22 October, 2012
Becuase you deserve an Eulogy.
"Nevermind the rapture, we brought our parachutes."
Inspiração é, novamente, sinónimo de insónia. Ou talvez a primeira não seja senão a única forma relativamente sã de acabar com a última.
Talvez haja um limite para o número de pensamentos que conseguimos digerir sem que nos tirem o sono. Talvez precisemos de cuspir os que sobram, em vez de os ruminar incessantemente sem que se transformem em algo mais do que uma pasta nojenta e inabsorvível, como se fôssemos vacas defeituosas. Só temos um estômago, afinal.
Deixei-me de confessionários desde que deixei de acreditar em Deus, e quando voltei a acreditar - em algo - já não via sentido no propósito de me confessar a um padre que nunca me respondia nem me aconselhava, mas que se fazia Deus para me perdoar enquanto me julgava silenciosamente de sobrolho franzido, e insistia depois em me benzer com gestos teatrais, enquanto me agarrava os ombros e me espreitava para o decote, um quadro satírico a tanta coisa. Nunca contei os pecados por inteiro, não queria contar demasiado a um homem que teria certamente - tinha que ter - pecado mais do que eu.
Comecei a vomitar para o papel sempre que um qualquer turbilhão me toldava a mente e os olhos, numa tentativa de exorcizar demónios e pecados, de perceber melhor o que nunca consegui explicar a ninguém nem a mim própria. O quê? Qualquer coisa. O que sair. Porque, ainda que seja desordenada e desenfreadamente, é a única forma que tenho de conseguir ser crua antes de começar a tentar racionalizar tudo e perder o fio à meada. A pior parte de pensar demais é perdermo-nos em sidenotes e considerações, até nos esquecermos completamente do raciocínio que estávamos a ter e acabarmos com uma dor de cabeça monstra, numa confusão crescente e totalmente desnecessária.
Não consigo dormir a pensar num número ridículo de coisas ao mesmo tempo, o que obviamente faz com que não consiga chegar a nenhuma conclusão sobre nada. Não sei como nem porquê, voltei a lembrar-me do "A" escarlate e por consequência, de ti. O "A" já desapareceu há algum tempo, em virtude (engraçado, usar a palavra virtude na mesma frase em que falo do "A" escarlate) de sessões intensivas de laser e álcool, ou talvez simplesmente do Tempo e da sua borracha selectiva. Mas tu permaneces, algures num canto escuro, em morte cerebral, num quarto onde ninguém entra. Ocorreu-me que, apesar de já teres partido há muito, nunca te disse adeus. Nunca tive coragem de desligar as máquinas. Agarrei-me à convicção de que ainda não tinha sido desta, como não o foi de todas as outras vezes. Acreditei piamente que no momento em que voltasse a entrar para carregar no botão abririas os olhos e me agarrarias no pulso, e o ciclo começaria novamente, em loop, até novo coma. Dizer-te finalmente adeus é dizer adeus à segurança de não poder voltar a sofrer. Contigo tudo é fácil. Vazio e deprimente, mas fácil, ainda assim. Às vezes parece-me mais fácil arder em lume brando do que arriscar-me a poder consumir-me. Posso tentar convencer-me que ainda sou tão auto-destrutiva como tu, que ainda me contento com pequenos nadas, e que não posso alterar tudo isso, porque ainda não te consegui deixar ir. Mas não.
Não foi por falta de insistência. Voltei muitas vezes ao white room, na esperança de encontrar um qualquer resquício de ti, qualquer coisa que me permitisse enganar-me mais um pouco, mas já não é o que era. Já não tem a aura de mistério de antigamente. Agora tem pó e cinza por todo o lado e cheira a morte. Sempre cheirou a morte, aliás, mas antes cheirava a corridas de carros e tiroteios, e nós éramos para mim uma espécie de Bonnie e Clyde dos tempos modernos, e a nossa morte seria apenas a consequência natural de termos vivido no limite e depressa demais. Parecia algo glamouroso, em vez da idiotice que realmente era. Não sei se foi por teres entrado em coma ou por eu ter saído dele, mas deprime-me pensar como consegui ver como um lugar sagrado o que não passa de uma sala de chuto. Se lá voltar, está tudo exactamente igual, mas isso já não me conforta. As tuas palavras já não são coerentes, são ocas e mecânicas, como se estivesse a ouvir uma cassette com a mesma gravação em ambos os lados, over and over again. Já não rimos até cair, tu ris-te descontroladamente em êxtase psicotrópico, enquanto o meu coração se embrulha de pesar e perco as forças - sem cair no chão, mas quase. Os teus olhos tornaram-se baços, ou deixaram de ter o brilho dos meus reflectido. Quando me abraças a chorar e dizes que me amas segundos antes de caires num sono de doze horas, não é intenso e dramático, é uma tentativa desesperada de te agarrares à única tábua de salvação que ainda não se desfez. É tudo doentio, lúgubre e distorcido. Não sei se sempre foi. O amor é cego, não alucinogénico.
Queria tanto poder dizer-te adeus de outra forma. Queria ter-te salvo, eu e a minha mania de salvar quem não quer ser salvo. Eu e a minha mania de querer salvar toda a gente de si própria e esquecer-me de fazer o mesmo comigo. Às vezes ainda me tento convencer de que me afoguei contigo. Uma pequena parte de mim queria ter perdido as forças contigo, ao menos porque não me arriscaria agora a poder perdê-las de outra forma qualquer, noutra ilusão qualquer. Queria ter ido contigo, por lealdade, talvez também por medo de acabar por ter de ir sozinha, sabe-se lá quando. Mas por qualquer milagre ou maldição, sou mais resistente do que pensava, e a verdade é que escapei intacta. Apenas com uma cicatriz esbatida onde estava o "A". Estou pronta para outra. Ou quase. Faltava dizer-te (oficialmente) adeus.
Adeus.
Já tenho sono, finalmente. Coincidência ou não. Não vou pensar nisso.
29 September, 2010
Your replay (not mine)
Oh baby you're a million years old.
You're rotten and filled with dirt.
I see your shadow from the corner of my eye. Running away in the rearview mirror. A dead angle.
So ancient, so washed away. So tired. Such a coward.
I won't look you in the eye, you're like a bull and I don't want to set your rage free. If I don't see you maybe you won't see that I saw you, and it's self-centered crap all over again. No remorse. No guilt. You don't know them. No you don't know them. Just like you don't know me. Meaningless. Pointless. Perishable.
I can't burst your buble, you're resistant to my needle. Obsession is your resistance. I'm not NOT me.
It's not me.
It's not me.
It's not me.
It should've been the last time, the last time I said it's not me.
You're rotten and filled with dirt.
I see your shadow from the corner of my eye. Running away in the rearview mirror. A dead angle.
So ancient, so washed away. So tired. Such a coward.
I won't look you in the eye, you're like a bull and I don't want to set your rage free. If I don't see you maybe you won't see that I saw you, and it's self-centered crap all over again. No remorse. No guilt. You don't know them. No you don't know them. Just like you don't know me. Meaningless. Pointless. Perishable.
I can't burst your buble, you're resistant to my needle. Obsession is your resistance. I'm not NOT me.
It's not me.
It's not me.
It's not me.
It should've been the last time, the last time I said it's not me.
26 September, 2010
Pára de olhar para mim.
Pára de olhar para mim.
Larga esse sorriso maléfico, pára de estreitar os olhos e de lamber o lábio superior. Tira as mãos dos bolsos. Pára de olhar para mim, já disse.
Não me podes ter mais, não enquanto me quiseres ter para me voltar a perder, por nada mais que pura crueldade assumida. Não. Não, não não não. Gostava que um não bastasse, mas ainda estou presa na fase de dar beliscões nos braços e chapadas na testa para acordar. O não não sai naturalmente, sai porque o forço a sair, mas sai, o que é uma melhoria significativa das vezes em que nem sequer saía. Dos tempos do A escarlate, da fraqueza, do "mas porque é que me basta o que não me preenche?".
Não te quero, consigo nãp te querer. Mas queria querer-te, noutra dimensão, noutro plano, talvez noutra vida, em que não fosses vazio e eu não fosse fraca. Um dia não vou imaginar mais como seria poder querer-te. Foste o último, é isso. Até haver outro serás sempre o último, e o último fica sempre tempo demais.
Pára de olhar para mim. É irrelevante.
Estás quase sempre longe demais e quando estás perto estás ainda mais longe.
Larga esse sorriso maléfico, pára de estreitar os olhos e de lamber o lábio superior. Tira as mãos dos bolsos. Pára de olhar para mim, já disse.
Não me podes ter mais, não enquanto me quiseres ter para me voltar a perder, por nada mais que pura crueldade assumida. Não. Não, não não não. Gostava que um não bastasse, mas ainda estou presa na fase de dar beliscões nos braços e chapadas na testa para acordar. O não não sai naturalmente, sai porque o forço a sair, mas sai, o que é uma melhoria significativa das vezes em que nem sequer saía. Dos tempos do A escarlate, da fraqueza, do "mas porque é que me basta o que não me preenche?".
Não te quero, consigo nãp te querer. Mas queria querer-te, noutra dimensão, noutro plano, talvez noutra vida, em que não fosses vazio e eu não fosse fraca. Um dia não vou imaginar mais como seria poder querer-te. Foste o último, é isso. Até haver outro serás sempre o último, e o último fica sempre tempo demais.
Pára de olhar para mim. É irrelevante.
Estás quase sempre longe demais e quando estás perto estás ainda mais longe.
22 September, 2010
Gravity!
O Mundo pesa um bocado, mas não sou eu que o carrego. Hoje não. Acho que todos carregamos o Mundo de vez em quando, até que ele salte para as costas de outra pessoa, num tipo de estafeta interminável.
Acho que foi quando me disseram que tinha enlouquecido de vez que me apercebi finalmente que não fui a única a sentir o peso do mundo e da gravidade. Tenho sido egoísta. Tenho-me feito mártir e tenho fechado os olhos ao martírio alheio. Por incrível que pareça, assim que me declararam maluca descobri a minha sanidade. Talvez por me ter conseguido finalmente abstrair de mim própria e olhar à minha volta com olhos de ver. Não sou normal, porque ser normal implica agir sempre segundo a norma. Ser normal implica nunca ter uma reacção impulsiva, nunca se ser desajustado, nunca ter medos irracionais, e nunca chorar por nada no silêncio do quarto. Entre muitas outras coisas. Desculpem, mas a norma é não se ser normal. E eu não sou. Mas também não conheço ninguém que seja. Conheço pessoas que se esforçam ao máximo. Que pensam duas vezes antes de falar. Que não contam a vida inteira a qualquer estranho que mostre alguma simpatia. Que são contidas. Controladas. Que não se prestam a ser chamadas de loucas e tentam não deixar nada de "anormal" sair cá para fora. Mas lá dentro, o "anormal" existe. Tanto neles como em mim. Eu sou apenas um pouco imatura, um pouco ingénua, um pouco mal resolvida e com tendência a explosões sentimentais, porque nunca me habituei a tentar conter o que sinto. Nunca me disseram que seria preciso. Eu pareço mais louca do que a maioria deles. Mas lendo nas entrelinhas, olhando pela lente de aumento para as vidas dos que amo, sou igual. Se eles são sãos, eu também o sou. E se são loucos, eu só não tenho jeito para disfarçar.
Independentemente de tudo isto, gostei de ver um pouco da bondade humana que julgava extinta. Bondade essa que deveria retribuir. Talvez tentar fazer algo pelas pessoas sem medo que me desiludam, como fizeram agora comigo. Porque afinal, it's not all about me. E se há quem consiga carregar o Mundo às costas e mesmo assim ter a coragem de não pensar só em si, eu devia aprender a fazer o mesmo.
Acho que foi quando me disseram que tinha enlouquecido de vez que me apercebi finalmente que não fui a única a sentir o peso do mundo e da gravidade. Tenho sido egoísta. Tenho-me feito mártir e tenho fechado os olhos ao martírio alheio. Por incrível que pareça, assim que me declararam maluca descobri a minha sanidade. Talvez por me ter conseguido finalmente abstrair de mim própria e olhar à minha volta com olhos de ver. Não sou normal, porque ser normal implica agir sempre segundo a norma. Ser normal implica nunca ter uma reacção impulsiva, nunca se ser desajustado, nunca ter medos irracionais, e nunca chorar por nada no silêncio do quarto. Entre muitas outras coisas. Desculpem, mas a norma é não se ser normal. E eu não sou. Mas também não conheço ninguém que seja. Conheço pessoas que se esforçam ao máximo. Que pensam duas vezes antes de falar. Que não contam a vida inteira a qualquer estranho que mostre alguma simpatia. Que são contidas. Controladas. Que não se prestam a ser chamadas de loucas e tentam não deixar nada de "anormal" sair cá para fora. Mas lá dentro, o "anormal" existe. Tanto neles como em mim. Eu sou apenas um pouco imatura, um pouco ingénua, um pouco mal resolvida e com tendência a explosões sentimentais, porque nunca me habituei a tentar conter o que sinto. Nunca me disseram que seria preciso. Eu pareço mais louca do que a maioria deles. Mas lendo nas entrelinhas, olhando pela lente de aumento para as vidas dos que amo, sou igual. Se eles são sãos, eu também o sou. E se são loucos, eu só não tenho jeito para disfarçar.
Independentemente de tudo isto, gostei de ver um pouco da bondade humana que julgava extinta. Bondade essa que deveria retribuir. Talvez tentar fazer algo pelas pessoas sem medo que me desiludam, como fizeram agora comigo. Porque afinal, it's not all about me. E se há quem consiga carregar o Mundo às costas e mesmo assim ter a coragem de não pensar só em si, eu devia aprender a fazer o mesmo.
14 August, 2010
X Factor, vai à merda!
Argh. Não é que a ideia (que cada vez ganha mais solidez e quase deixa de ser um conceito abstracto) de a minha vida ser um hino à ironia e ao humor negro não tenha a sua piada. Numa de piada sádica, de se perguntar "Qual é o pior que pode acontecer?" e isso acontecer (quase) sempre, mas tem a sua piada. Se isto fosse outra vida qualquer que não a minha e eu estivesse a vê-la de fora teria certamente a sua graça. Tipo o azarado dos filmes a que eu não acho piada porque me identifico demasiado. Só as pessoas com sorte é que acham piada aos azarados dos filmes.
Mas continuando, que já estou outra vez a dissertar. Transformem a minha vida numa novela mexicana o que quiserem, mas ao menos não sigam a fórmula das novelas: sejam originais. Porque sempre a mesma coisa não tem piada nenhuma. Nem para apreciadores de humor negro. Ou só talvez para aqueles americanos morbidamente obesos, burros e preguiçosos que ficam no sofá a ver programas de home video e riem histericamente em cada uma das 30 vezes em que um puto com um taco de baseball manda uma bolada nos tomates do pai. E esse não é, definitivamente, o meu público alvo.
Estamos na idade em que a maioria das pessoas já se apaixonou. Se calhar não tivemos ainda o amor das nossas vidas, se é que isso existe, mas já tivemos alguém que nos fez sentir coisas que não sabíamos que existiam. As pessoas marcam, é um facto. Nem todas (eu que o diga), mas de vez em quando aparece uma que consegue imprimir-se em nós e talvez seja irrealista esperar encontrar alguém com o coração absolutamente livre de cicatrizes. Tudo bem. Perfeitamente normal. Mas a cena de só me calharem na rifa homens com assuntos mal resolvidos (de todas as maneiras) com ex-namoradas já aborrece. Toda a gente já gostou de alguém, mas isto é demais. Não me queiram fazer acreditar que todos os homens voltam para a ex. Se assim fosse andávamos todas com o primeiro namoradinho da vida. Há (tem de haver) relações que simplesmente acabam. Não temporariamente e às prestações, mas de vez.
Com os "meus" (meus com umas GRANDES aspas, obviamente) não. Voltam todos para o raio da ex namorada, e lá fico eu com o rótulo de rebound girl, de in between, de nothing, a sentir-me triste e burra porque a verdade é que já tinha obrigação de saber melhor. Pois estou absolutamente farta. Farta de conhecer uma pessoa interessante (das poucas vezes em que isso acontece) e ao fim de meia hora a conversa ir parar a "a minha ex não gostava de favas" ou equivalente. Red flag, meia dúzia de perguntar como quem não quer a coisa e lá vem o inevitável "é complicado".
Contrariando a psicologia pop, não sou eu que ando atrás destes tipos. Vá, talvez um pouco, o meu medo de compromissos pode levar-me a subconscientemente me apaixonar por pessoas que não querem um compromisso (não comigo, neste caso). Mas não absolutamente. Não, eles perseguem-me, são obstinados, decididos, falam com os olhos a brilhar e tentam deitar por terra as minhas dúvidas (super pertinentes). E quando eu caio, voltam para a ex namorada.
Well, not this time. Olha, rapaz, não quero saber do quanto me chateeies (e tenho um feeling que vais ser dolorosamente chato), nem de quantos origamis ou lá que raio é aquilo me ofereças, não estou praí virada. Tenho de admitir que sóbria não te acho nem metade da piada (nem metade da metade da metade) que achei quando te conheci, o que torna isto muito mais fácil. Para ser magoada, ao menos que seja por um que me tire o ar, como o mordedor de braços e o seu amigo mordedor de pernas. Senão ainda é mais estúpido.
Mesmo se me fizesses sentir no topo do Mundo (ah, aquela sensação assassina e indutora de erros caros!) não me apanhavas na mesma. Eu posso não conseguir controlar quem atraio, mas esse cenário já não me atrai. Foram tantas vezes (aliás, nem foram propriamente muitas, mas foram devastadoras, e foram certamente vezes demais para o tipo de cenário improvável, azarado e frustrante) que já enjoa. À terceira não caio. E não é por não ser parva, mas como diria o meu querido Pavlov, até um cão aprende com a experiência.
Mas continuando, que já estou outra vez a dissertar. Transformem a minha vida numa novela mexicana o que quiserem, mas ao menos não sigam a fórmula das novelas: sejam originais. Porque sempre a mesma coisa não tem piada nenhuma. Nem para apreciadores de humor negro. Ou só talvez para aqueles americanos morbidamente obesos, burros e preguiçosos que ficam no sofá a ver programas de home video e riem histericamente em cada uma das 30 vezes em que um puto com um taco de baseball manda uma bolada nos tomates do pai. E esse não é, definitivamente, o meu público alvo.
Estamos na idade em que a maioria das pessoas já se apaixonou. Se calhar não tivemos ainda o amor das nossas vidas, se é que isso existe, mas já tivemos alguém que nos fez sentir coisas que não sabíamos que existiam. As pessoas marcam, é um facto. Nem todas (eu que o diga), mas de vez em quando aparece uma que consegue imprimir-se em nós e talvez seja irrealista esperar encontrar alguém com o coração absolutamente livre de cicatrizes. Tudo bem. Perfeitamente normal. Mas a cena de só me calharem na rifa homens com assuntos mal resolvidos (de todas as maneiras) com ex-namoradas já aborrece. Toda a gente já gostou de alguém, mas isto é demais. Não me queiram fazer acreditar que todos os homens voltam para a ex. Se assim fosse andávamos todas com o primeiro namoradinho da vida. Há (tem de haver) relações que simplesmente acabam. Não temporariamente e às prestações, mas de vez.
Com os "meus" (meus com umas GRANDES aspas, obviamente) não. Voltam todos para o raio da ex namorada, e lá fico eu com o rótulo de rebound girl, de in between, de nothing, a sentir-me triste e burra porque a verdade é que já tinha obrigação de saber melhor. Pois estou absolutamente farta. Farta de conhecer uma pessoa interessante (das poucas vezes em que isso acontece) e ao fim de meia hora a conversa ir parar a "a minha ex não gostava de favas" ou equivalente. Red flag, meia dúzia de perguntar como quem não quer a coisa e lá vem o inevitável "é complicado".
Contrariando a psicologia pop, não sou eu que ando atrás destes tipos. Vá, talvez um pouco, o meu medo de compromissos pode levar-me a subconscientemente me apaixonar por pessoas que não querem um compromisso (não comigo, neste caso). Mas não absolutamente. Não, eles perseguem-me, são obstinados, decididos, falam com os olhos a brilhar e tentam deitar por terra as minhas dúvidas (super pertinentes). E quando eu caio, voltam para a ex namorada.
Well, not this time. Olha, rapaz, não quero saber do quanto me chateeies (e tenho um feeling que vais ser dolorosamente chato), nem de quantos origamis ou lá que raio é aquilo me ofereças, não estou praí virada. Tenho de admitir que sóbria não te acho nem metade da piada (nem metade da metade da metade) que achei quando te conheci, o que torna isto muito mais fácil. Para ser magoada, ao menos que seja por um que me tire o ar, como o mordedor de braços e o seu amigo mordedor de pernas. Senão ainda é mais estúpido.
Mesmo se me fizesses sentir no topo do Mundo (ah, aquela sensação assassina e indutora de erros caros!) não me apanhavas na mesma. Eu posso não conseguir controlar quem atraio, mas esse cenário já não me atrai. Foram tantas vezes (aliás, nem foram propriamente muitas, mas foram devastadoras, e foram certamente vezes demais para o tipo de cenário improvável, azarado e frustrante) que já enjoa. À terceira não caio. E não é por não ser parva, mas como diria o meu querido Pavlov, até um cão aprende com a experiência.
10 August, 2010
Puzzles
If all the best people are crazy, maybe they are also a bit hurt and frustrated.
Being crazy as I see it comes from beng naive. Being naive makes you bound to get hurt. Getting hurt makes you feel more and more frustrated.
Being naive seems to be one of the biggest curses one can bare. Yet I'm afraid that I might not be so naive anymore. Anyway. The damage is done. I'm hurt and frustrated (no point denying it anymore). Maybe I'm broken into so many little pieces that only someone with an above average patiente would be willing to take the time to try and glue me back together.
I have to find a man who likes puzzles.
Being crazy as I see it comes from beng naive. Being naive makes you bound to get hurt. Getting hurt makes you feel more and more frustrated.
Being naive seems to be one of the biggest curses one can bare. Yet I'm afraid that I might not be so naive anymore. Anyway. The damage is done. I'm hurt and frustrated (no point denying it anymore). Maybe I'm broken into so many little pieces that only someone with an above average patiente would be willing to take the time to try and glue me back together.
I have to find a man who likes puzzles.
05 August, 2010
This too shall pass (maybe not)
É um daqueles dias com livros velhos a cheirar a mofo, caixas de pizza e milhares de cigarros em que se dorme, se acorda, se come e se lê, e se volta a dormir. Não se contam calorias nem nicotina, não interessa. É pena que não chova, a chuva e o cheiro a terra molhada é que tornam estes dias perfeitos. Tenho saudades do Inverno. É mais aceitável estar-se triste no Inverno. De facto, é mais feliz estar-se triste no Inverno.
Gostava de viver permanentemente no Inverno, não no metafórico, porque esse já não vai a lado nenhum, mas gostava que o Inverno físico e o metafórico pudessem coincidir sempre. Não sou de introspecções, não sei porquê, nunca fui e quando tento fazer algo que se assemelhe acabo por me perder a meio do caminho, não sei se não me sei analisar por falta de prática ou se tenho medo de mergulhar no meu subconsciente e ser confrontada com o quão doente estou... e não poder voltar para trás. Já chove há tanto tempo, cada vez mais e mais. Enxurradas, derrocadas, desabamentos de terras e casas, e o Mundo ao sol, a assistir. E eu a ser arrastada pela corrente. sem parar, puxada com tanta força e de tal maneira que nem consigo simplesmente deixar-me afogar, porque o lodo é espesso e a corrente é forte, e vai-me arrastando, e eu não tenho forças nem para sair dela nem para me perder nela.
É isso, chove há tempo demais. Não me lembro do que é o Sol, e sei que ele não vai voltar a brilhar. Já passou tempo demais, e não há bombeiros, nem aldeões solidários, nem heróis anónimos que me tirem deste rio de lama. Limitam-se a olhar, uns agradecendo aos céus por terem bom tempo, outros acusando-me não sair porque não quero, que a corrente nem parece assim tão forte. Talvez tenham razão. Mas continua a chover abundantemente e a água não me deixa ver nada. Precisava que alguém me estendesse uma mão, mas ninguém está para se dar ao trabalho. Estou a afogar-me lentamente há quase 3 anos, implorando a um qualquer Deus para me dar um sinal, e ninguém me estende uma mão. 3 anos é demasiado tempo para esperar por algo que nunca vem, e torna-se inevitável acordar e ver que o mais provável é que nunca venha. Algumas pessoas não estã destinadas a ser salvas. Algumas pessoas existem apenas para ensinar uma lição aos restantes. Talvez a não se queixarem tanto. Mas não faz mal, eu já não espero ajuda de ninguém, apesar de ser quase impossível salvar-me sozinha. Mesmo assim, se sair, é pelo meu próprio pé. E se me afogar de vez, a loucura já se instalou de tal forma que nem me vou aperceber que morri. Nem eu, nem eles. No great loss.
Vou voltar aos livros e aos cigarros, porque estou farta de estar triste, estou farta de sentir pena de mim própria, como uma idiota, e não estou ainda pronta para admitir que já não acredito em nada, apesar de ser exactamente isso que se passa. E não quero ser queixinhas, estou farta de ser queixinhas, mas estou a perder a fé em mim e na humanidade outra vez, e só me apetece abrir a janela e berrar a Deus "JÁ CHEGA!!!!!!!!!!!!!!!!". Mas não posso, por causa dos vizinhos.
Gostava de viver permanentemente no Inverno, não no metafórico, porque esse já não vai a lado nenhum, mas gostava que o Inverno físico e o metafórico pudessem coincidir sempre. Não sou de introspecções, não sei porquê, nunca fui e quando tento fazer algo que se assemelhe acabo por me perder a meio do caminho, não sei se não me sei analisar por falta de prática ou se tenho medo de mergulhar no meu subconsciente e ser confrontada com o quão doente estou... e não poder voltar para trás. Já chove há tanto tempo, cada vez mais e mais. Enxurradas, derrocadas, desabamentos de terras e casas, e o Mundo ao sol, a assistir. E eu a ser arrastada pela corrente. sem parar, puxada com tanta força e de tal maneira que nem consigo simplesmente deixar-me afogar, porque o lodo é espesso e a corrente é forte, e vai-me arrastando, e eu não tenho forças nem para sair dela nem para me perder nela.
É isso, chove há tempo demais. Não me lembro do que é o Sol, e sei que ele não vai voltar a brilhar. Já passou tempo demais, e não há bombeiros, nem aldeões solidários, nem heróis anónimos que me tirem deste rio de lama. Limitam-se a olhar, uns agradecendo aos céus por terem bom tempo, outros acusando-me não sair porque não quero, que a corrente nem parece assim tão forte. Talvez tenham razão. Mas continua a chover abundantemente e a água não me deixa ver nada. Precisava que alguém me estendesse uma mão, mas ninguém está para se dar ao trabalho. Estou a afogar-me lentamente há quase 3 anos, implorando a um qualquer Deus para me dar um sinal, e ninguém me estende uma mão. 3 anos é demasiado tempo para esperar por algo que nunca vem, e torna-se inevitável acordar e ver que o mais provável é que nunca venha. Algumas pessoas não estã destinadas a ser salvas. Algumas pessoas existem apenas para ensinar uma lição aos restantes. Talvez a não se queixarem tanto. Mas não faz mal, eu já não espero ajuda de ninguém, apesar de ser quase impossível salvar-me sozinha. Mesmo assim, se sair, é pelo meu próprio pé. E se me afogar de vez, a loucura já se instalou de tal forma que nem me vou aperceber que morri. Nem eu, nem eles. No great loss.
Vou voltar aos livros e aos cigarros, porque estou farta de estar triste, estou farta de sentir pena de mim própria, como uma idiota, e não estou ainda pronta para admitir que já não acredito em nada, apesar de ser exactamente isso que se passa. E não quero ser queixinhas, estou farta de ser queixinhas, mas estou a perder a fé em mim e na humanidade outra vez, e só me apetece abrir a janela e berrar a Deus "JÁ CHEGA!!!!!!!!!!!!!!!!". Mas não posso, por causa dos vizinhos.
26 May, 2010
Never again (or so I'll try)
No espírito da renovação e da mudança que se impõe, deixa-me deixar bem claro que foi a última vez que me traí contigo.
Parece tudo tão despropositado quando faço a inevitável e penosa walk of shame, roxa no corpo e na alma, com o A escarlate ardendo na testa, inevitavelmente visível para o Mundo e indisfarçável para mim. Parece estúpido (e é), parece incompreensível.
Quando noutra dimensão parecia simplesmente banal. Talvez o problema seja mesmo esse. A banalidade. A insignificância. Tornas-me fraca e insignificante. Matas mais um pouco o meu eu moribundo. Não vou deixar que o mates por completo. Não que (ainda) tenhas esse poder. Mas se há pessoas que trazem à tona o pior de nós, tu serás certamente a minha, e só me cabe a mim deixar-me de hábitos negros.
Parece tudo tão despropositado quando faço a inevitável e penosa walk of shame, roxa no corpo e na alma, com o A escarlate ardendo na testa, inevitavelmente visível para o Mundo e indisfarçável para mim. Parece estúpido (e é), parece incompreensível.
Quando noutra dimensão parecia simplesmente banal. Talvez o problema seja mesmo esse. A banalidade. A insignificância. Tornas-me fraca e insignificante. Matas mais um pouco o meu eu moribundo. Não vou deixar que o mates por completo. Não que (ainda) tenhas esse poder. Mas se há pessoas que trazem à tona o pior de nós, tu serás certamente a minha, e só me cabe a mim deixar-me de hábitos negros.
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