Se o amor não passa de uma reacção química destinada a enganar-nos de modo a assegurar a continuação da espécie, porque é que há pessoas que nos atingem de modo fulminante, fazendo as típicas borboletas no estômago terem nova metamorfose e transformarem-se em bichos gigantes a comerem-nos as entranhas?
Talvez não haja almas gémeas, mas sim químicos gémeos ou hormonas gémeas. Nunca acreditei em amor à primeira vista, porque à primeira vista não se conhece verdadeiramente ninguém, e é pelas qualidades (e principalmente pelos defeitos) que nos apaixonamos.
No entanto não há como negar que há pessoas que nos são completamente indiferentes, muitas vezes pessoas que desejávamos poder não achar indiferentes. E outras que têm em nós um efeito devastador. Porquê? Que químicos são responsáveis por esta discriminação de atracções? Não sei, não gosto de pensar nestas coisas cientificamente. Quando a ciência se mete no amor tira-lhe a piada toda.
28 December, 2009
19 September, 2009
Facto curioso
Tenho a cara e os joelhos da mesma cor: roxo.
Gosto de acreditar na inexistência do passado, porque a verdade é que o passado não existe, e como tal torna-se irrelevante se existiu ou não, porque no presente não existe nem há maneira nenhuma de lá voltarmos. Sem ser a nossa memória. Se não me lembro das coisas elas nunca existiram. Ponto. Até que começo a encontrar bocadinhos do puzzle espalhados aqui e ali. Reais. palpáveis. E como tal impossíveis de ignorar.
Hoje tudo é estranho e errado, mas de certa forma tudo faz sentido. Faz sentido porque há demasiadas coisas que não fazem sentido, e hoje tudo à minha volta e tudo dentro de mim faz questão de me lembrar isso.
Gosto de acreditar na inexistência do passado, porque a verdade é que o passado não existe, e como tal torna-se irrelevante se existiu ou não, porque no presente não existe nem há maneira nenhuma de lá voltarmos. Sem ser a nossa memória. Se não me lembro das coisas elas nunca existiram. Ponto. Até que começo a encontrar bocadinhos do puzzle espalhados aqui e ali. Reais. palpáveis. E como tal impossíveis de ignorar.
Hoje tudo é estranho e errado, mas de certa forma tudo faz sentido. Faz sentido porque há demasiadas coisas que não fazem sentido, e hoje tudo à minha volta e tudo dentro de mim faz questão de me lembrar isso.
07 August, 2009
Está provado que tenho o/a sparkle. Após anos a sentir-me unlovable, finalmente tenho aquilo que invejava em todas as outras.
E agora que aconteceu, volta tudo em catadupa.
Medo, fobia, masoquismo, burrice, não sei o que é, mas aconteceu outra vez. There I go... Running for the hills. Será auto-sabotagem? O que aconteceu à pessoa que lutava por casos perdidos? Ter-se-á tornado ela própria um caso perdido? Não me percebo, e tenho medo de me perceber...
Não. É uma questão matemática. Se eu à partida já tinha em mim mais esperança que a maioria, por muita que tenha morrido alguma há-de restar. Não sei é se será maior que o medo. Estupidez ou não, não estou mesmo em condições de me magoar outra vez. Porque se isso acontecer perco-me de vez, e nunca mais consigo voltar.
Há uma parte de mim que ainda acredita que tudo pode e deve ser simples, mas há outra que me prende e não me deixa sair do sítio. Um dia vai ter que acontecer como no Identity, e só uma vai sobreviver. Sei perfeitamente que a parte "boa" vai vencer, felizmente está cá há muito mais tempo. Sinto que esse dia já esteve mais longe, mas também sinto que vai demorar demasiado tempo a chegar.
Somos tão mais fortes do que imaginamos, e tão cobardes ao mesmo tempo...
Be careful what you wish for, 'cause you just might get it all...
E agora que aconteceu, volta tudo em catadupa.
Medo, fobia, masoquismo, burrice, não sei o que é, mas aconteceu outra vez. There I go... Running for the hills. Será auto-sabotagem? O que aconteceu à pessoa que lutava por casos perdidos? Ter-se-á tornado ela própria um caso perdido? Não me percebo, e tenho medo de me perceber...
Não. É uma questão matemática. Se eu à partida já tinha em mim mais esperança que a maioria, por muita que tenha morrido alguma há-de restar. Não sei é se será maior que o medo. Estupidez ou não, não estou mesmo em condições de me magoar outra vez. Porque se isso acontecer perco-me de vez, e nunca mais consigo voltar.
Há uma parte de mim que ainda acredita que tudo pode e deve ser simples, mas há outra que me prende e não me deixa sair do sítio. Um dia vai ter que acontecer como no Identity, e só uma vai sobreviver. Sei perfeitamente que a parte "boa" vai vencer, felizmente está cá há muito mais tempo. Sinto que esse dia já esteve mais longe, mas também sinto que vai demorar demasiado tempo a chegar.
Somos tão mais fortes do que imaginamos, e tão cobardes ao mesmo tempo...
Be careful what you wish for, 'cause you just might get it all...
22 April, 2009
Estrada
Sigo.
Sempre em frente. Não posso parar. Não posso...
É sempre a mesma estrada. É sempre a mesma estrada que nunca mais acaba nem chega a lado nenhum. No princípio estava entusiasmada, curiosa. Corria por aqui fora, ansiosa de ver onde me levaria. Agora arrasto-me. Arrasto-me penosamente, os pés ardendo dentro dos sapatos em bico, a gravilha furando-me as solas. Não sei há quanto tempo caminho mas sinto as pálpebras pesadas e a garganta seca. Mas não posso parar.
Dentro de pouco tempo, mesmo que não chegue a lado nenhum, esta estrada vai deixar de ser sempre igual. Como quando se anda muito tempo no deserto. O calor, o cansaço e a desidratação vão tornar esta estrada numa alucinação. Dentro em breve o solo vai ondular-se, as bermas vão ficar distorcidas e a realidade vai ser o que o meu cérebro quiser.
O que foi dito e é verdade vai ser suplantado pelas acções dúbias que são mentira, os momentos de riso cruel vão-se tornar nas nossas gargalhadas sinceras, as certezas vão afastar os olhares indiferentes, a voz do Mundo vai calar a minha voz interior, e o filme vai começar do princípio para o fim em vez do contrário.
Quem me dera poder sair daqui, poder trocar de realidade, ao menos em fantasia, poder acreditar por um momento que algo talvez possa ser um pouco diferente, mesmo que não possa.
Quem me dera poder virar numa curva e descobrir a saída da estrada, em vez de andar em círculos e ir parar sempre à mesma encruzilhada deste labirinto. Gostava de poder voltar ao tempo em que as alucinações eram reais.
Qual cão de Pavlov, tocavam o sino a meio caminho e eu esquecia-me que a estrada não levava a lado nenhum. Chamam-lhe reflexo condicionado. Eu não tenho culpa. Treinaram-me assim. Convenceram-me que o efeito seria sempre o mesmo. Aquela campanhia, qual sino de santuário, fazia-me ficar segura, sonhadora, acreditando que aquela seria a vez em que encontraria o fim da estrada. Desta vez enganei-me. Estou imune à alucinação. Agora, ser evoluído pelo tempo, ouço a campainha mas já não caio na conversa. Já não sinto o efeito.
As campainhas são as mentiras da alma. São as tretas que nos contam para nos manterem estupidamente a percorrer uma estrada que não vai dar a lado nenhum. Para não nos deixarem desistir de uma missão estúpida e sem sentido que julgamos nobre. E rirem. Rirem muito.
Toca as campainhas que quiseres. Eu sei que esta estrada vai dar ao mesmo beco do costume.
Sempre em frente. Não posso parar. Não posso...
É sempre a mesma estrada. É sempre a mesma estrada que nunca mais acaba nem chega a lado nenhum. No princípio estava entusiasmada, curiosa. Corria por aqui fora, ansiosa de ver onde me levaria. Agora arrasto-me. Arrasto-me penosamente, os pés ardendo dentro dos sapatos em bico, a gravilha furando-me as solas. Não sei há quanto tempo caminho mas sinto as pálpebras pesadas e a garganta seca. Mas não posso parar.
Dentro de pouco tempo, mesmo que não chegue a lado nenhum, esta estrada vai deixar de ser sempre igual. Como quando se anda muito tempo no deserto. O calor, o cansaço e a desidratação vão tornar esta estrada numa alucinação. Dentro em breve o solo vai ondular-se, as bermas vão ficar distorcidas e a realidade vai ser o que o meu cérebro quiser.
O que foi dito e é verdade vai ser suplantado pelas acções dúbias que são mentira, os momentos de riso cruel vão-se tornar nas nossas gargalhadas sinceras, as certezas vão afastar os olhares indiferentes, a voz do Mundo vai calar a minha voz interior, e o filme vai começar do princípio para o fim em vez do contrário.
Quem me dera poder sair daqui, poder trocar de realidade, ao menos em fantasia, poder acreditar por um momento que algo talvez possa ser um pouco diferente, mesmo que não possa.
Quem me dera poder virar numa curva e descobrir a saída da estrada, em vez de andar em círculos e ir parar sempre à mesma encruzilhada deste labirinto. Gostava de poder voltar ao tempo em que as alucinações eram reais.
Qual cão de Pavlov, tocavam o sino a meio caminho e eu esquecia-me que a estrada não levava a lado nenhum. Chamam-lhe reflexo condicionado. Eu não tenho culpa. Treinaram-me assim. Convenceram-me que o efeito seria sempre o mesmo. Aquela campanhia, qual sino de santuário, fazia-me ficar segura, sonhadora, acreditando que aquela seria a vez em que encontraria o fim da estrada. Desta vez enganei-me. Estou imune à alucinação. Agora, ser evoluído pelo tempo, ouço a campainha mas já não caio na conversa. Já não sinto o efeito.
As campainhas são as mentiras da alma. São as tretas que nos contam para nos manterem estupidamente a percorrer uma estrada que não vai dar a lado nenhum. Para não nos deixarem desistir de uma missão estúpida e sem sentido que julgamos nobre. E rirem. Rirem muito.
Toca as campainhas que quiseres. Eu sei que esta estrada vai dar ao mesmo beco do costume.
28 February, 2009
A vida num molho de bróculos
É mesmo verdade que os homens deviam vir com manual de instruções.
Devido a atitudes de terceiros que me têm tirado o sono (mas infelizmente não a fome) vi-me obrigada a voltar a pegar no "Os homens são de Marte, as mulheres de Vénus" de John Gray, em busca de respostas. Para já tenho de dizer que não sou de todo fã de livros de auto-ajuda, em parte porque é um bocado triste ler livros de auto-ajuda e em parte porque sempre tive a ligeira sensação que tudo o que fazem é desajudar
Ofereceram-me este livro praí há 3 anos e nunca consegui passar do 2º capítulo, porque quando o senhor Gray começa a dissertar sobre elásticos marcianos e cavernas a coisa começa a tornar-se demasiado perturbadora e obriga-me a desitir de tentar perceber alguma coisa. Mas basicamente a ideia básica é esta: os homens são como elásticos, aproximam-se até certo ponto e depois sentem a necessidade instintiva de se afastarem, para "encontrarem a sua independência e autonomia". Ou seja, um homem sente a necessidade de intimidade com uma mulher, mas quando essa necessidade é satisfeita ele sente a necessidade de se afastar e de se isolar na sua caverna - aka cabeça - para poder depois voltar ainda com mais vigor, como quando se estica um elástico e se volta a soltá-lo, ele vem com mais energia (ou como o senhor Gray não diz, o homem entra em pânico quando a coisa começa a ficar séria e foge a sete pés).
Isto, de acordo com o livro, acontece quando um homem ama uma mulher. Portanto se um homem se afasta na pior altura possível, em vez de darmos ouvidos ao nosso instinto e matar o desgraçado que nos enganou da pior maneira, temos de ter em conta que há 2 opções para o afastamento:
-Ele está-se completamente nas tintas
-Ele está perdidamente apaixonado
Thank you so much for the insight, Mr. Gray!
Self-aid books my ass...!
Devido a atitudes de terceiros que me têm tirado o sono (mas infelizmente não a fome) vi-me obrigada a voltar a pegar no "Os homens são de Marte, as mulheres de Vénus" de John Gray, em busca de respostas. Para já tenho de dizer que não sou de todo fã de livros de auto-ajuda, em parte porque é um bocado triste ler livros de auto-ajuda e em parte porque sempre tive a ligeira sensação que tudo o que fazem é desajudar
Ofereceram-me este livro praí há 3 anos e nunca consegui passar do 2º capítulo, porque quando o senhor Gray começa a dissertar sobre elásticos marcianos e cavernas a coisa começa a tornar-se demasiado perturbadora e obriga-me a desitir de tentar perceber alguma coisa. Mas basicamente a ideia básica é esta: os homens são como elásticos, aproximam-se até certo ponto e depois sentem a necessidade instintiva de se afastarem, para "encontrarem a sua independência e autonomia". Ou seja, um homem sente a necessidade de intimidade com uma mulher, mas quando essa necessidade é satisfeita ele sente a necessidade de se afastar e de se isolar na sua caverna - aka cabeça - para poder depois voltar ainda com mais vigor, como quando se estica um elástico e se volta a soltá-lo, ele vem com mais energia (ou como o senhor Gray não diz, o homem entra em pânico quando a coisa começa a ficar séria e foge a sete pés).
Isto, de acordo com o livro, acontece quando um homem ama uma mulher. Portanto se um homem se afasta na pior altura possível, em vez de darmos ouvidos ao nosso instinto e matar o desgraçado que nos enganou da pior maneira, temos de ter em conta que há 2 opções para o afastamento:
-Ele está-se completamente nas tintas
-Ele está perdidamente apaixonado
Thank you so much for the insight, Mr. Gray!
Self-aid books my ass...!
12 October, 2008
Traumas, etc.
Ontem tive uma noite como já há muito tempo não tinha. Uma daquelas noites em que o estado de quase-sobriedade nos dispara o Q.I e nos faz ter epifanias e descobrir verdades (quase) universais em que nunca tínhamos sequer pensado e que de repente parecem tão óbvias.
Foi uma noite boa, em que não chorei, não passei nenhum limite perigoso e pode-se dizer que me consegui aguentar à bronca, que desta vez não foi da minha parte. Ver os outros pior do que nós, quando não é o habitual, pode revelar-se esclarecedor em muitos sentidos.
Como é que nunca reparei nos pequenos grandes traumas dos que me rodeiam, na facilidade com que os pontos mal cozidos das cicatrizes se abrem depois de dois copos de vinho, na dor gritante que os outros (também) sentem? Eu já sabia que todos temos os nossos traumas, mas sabia-o de um modo tipo cultura geral, nunca lhe tinha dado muito valor por pensar que era eu a única com assuntos mal resolvidos e feridas abertas tempo demais. Por talvez pensar que o meu trauma era maior que o dos outros, mais estúpido, mais desnecessário e principalmente mais sobrevalorizado. Ontem vi a verdade. Consegui ver, num grupo de amigos e desconhecidos, as pequenas feridas e os pequenos medos que aumentam proporcionalmente à quantidade de bebida ingerida. Consegui ouvir as notas de dor nas vozes embargadas de cada vez que o assunto roçava arestas mal limadas. Fiquei-me a sentir mais saudável, talvez até mais saudável que eles, mas não sei se me senti realmente melhor. Se somos todos uns traumatizados, onde irei eu encontrar alguém com a coragem, a força e a paciência para me curar do meu próprio trauma?
Não vou. Não vou encontrar ninguém assim porque eu era a última. 3 anos atrás eu era a última pessoa capaz de dar tudo por tudo para matar o trauma de alguém, sabendo (e pressentindo) que poderia cair eu a seguir dentro do buraco. Já ninguém pensa assim. Já ninguém se joga de telhados por ninguém. E fazem eles bem. Porque se jogariam? Porque se anulariam de tal forma por alguém que é só mais um alguém? Já ninguém arrisca com um par de dois. Como posso eu julgar os outros por não lutarem por ninguém, por não saírem da sua área de conforto e por não se atirarem de cabeça, se eu própria fiz tudo isso e caí a pior queda possível? Se por um lado me faz sentir mais "normal" saber que todos somos traumatizados, ao mesmo tempo é assustador ver que na casa dos 20, já não há nada senão desistentes.
Se conseguíssemos ler mentes e ter a certeza de que algo vale a pena, seria tudo diferente. A ausência de certezas não deixa de ter a sua piada, mas torna tudo confuso, e à pala de uns quantos mentirosos temos todos medo de saltar.
Começo a detestar os filmes de Hollywood e as intemporais histórias de amor. Parece que já não há borboletas nem grandes feitos, e detesto a ideia de escolher o "confortável e seguro" ao "intenso e arrebatador".
Foi uma noite boa, em que não chorei, não passei nenhum limite perigoso e pode-se dizer que me consegui aguentar à bronca, que desta vez não foi da minha parte. Ver os outros pior do que nós, quando não é o habitual, pode revelar-se esclarecedor em muitos sentidos.
Como é que nunca reparei nos pequenos grandes traumas dos que me rodeiam, na facilidade com que os pontos mal cozidos das cicatrizes se abrem depois de dois copos de vinho, na dor gritante que os outros (também) sentem? Eu já sabia que todos temos os nossos traumas, mas sabia-o de um modo tipo cultura geral, nunca lhe tinha dado muito valor por pensar que era eu a única com assuntos mal resolvidos e feridas abertas tempo demais. Por talvez pensar que o meu trauma era maior que o dos outros, mais estúpido, mais desnecessário e principalmente mais sobrevalorizado. Ontem vi a verdade. Consegui ver, num grupo de amigos e desconhecidos, as pequenas feridas e os pequenos medos que aumentam proporcionalmente à quantidade de bebida ingerida. Consegui ouvir as notas de dor nas vozes embargadas de cada vez que o assunto roçava arestas mal limadas. Fiquei-me a sentir mais saudável, talvez até mais saudável que eles, mas não sei se me senti realmente melhor. Se somos todos uns traumatizados, onde irei eu encontrar alguém com a coragem, a força e a paciência para me curar do meu próprio trauma?
Não vou. Não vou encontrar ninguém assim porque eu era a última. 3 anos atrás eu era a última pessoa capaz de dar tudo por tudo para matar o trauma de alguém, sabendo (e pressentindo) que poderia cair eu a seguir dentro do buraco. Já ninguém pensa assim. Já ninguém se joga de telhados por ninguém. E fazem eles bem. Porque se jogariam? Porque se anulariam de tal forma por alguém que é só mais um alguém? Já ninguém arrisca com um par de dois. Como posso eu julgar os outros por não lutarem por ninguém, por não saírem da sua área de conforto e por não se atirarem de cabeça, se eu própria fiz tudo isso e caí a pior queda possível? Se por um lado me faz sentir mais "normal" saber que todos somos traumatizados, ao mesmo tempo é assustador ver que na casa dos 20, já não há nada senão desistentes.
Se conseguíssemos ler mentes e ter a certeza de que algo vale a pena, seria tudo diferente. A ausência de certezas não deixa de ter a sua piada, mas torna tudo confuso, e à pala de uns quantos mentirosos temos todos medo de saltar.
Começo a detestar os filmes de Hollywood e as intemporais histórias de amor. Parece que já não há borboletas nem grandes feitos, e detesto a ideia de escolher o "confortável e seguro" ao "intenso e arrebatador".
05 October, 2008
Benvindos.
A era da inocência... Já era. Benvindos à era moderna, em que nada fica e em que nada marca. Benvindos à era em que é tudo fácil, e porco, e sem significado. E enquanto idiotas como eu se roem por terem ido contra os seus princípios, o Mundo ri por ainda haver quem tenha príncipios. E como levantou e muito bem o anónimo no seu comentário, como havemos nós de ser optimistas se p'ensarmos o que pensarmos, fizermos o que fizermos, o pior que pode acontecer acontece sempre??? Estou farta.
Apetece-me ouvir Ornatos. Não sei por que merda passou o Manuel Cruz, mas acho que ele me compreenderia neste momento. Apetece-me mesmo anular-me e ser a merda que esperam que eu seja. Tudo é mais fácil quando não há expectativas.
Estou desanimada e fraca, e tonta demais para acreditar em seja o que for que seja demasiado bom para ser verdae.
Apetece-me ouvir Ornatos. Não sei por que merda passou o Manuel Cruz, mas acho que ele me compreenderia neste momento. Apetece-me mesmo anular-me e ser a merda que esperam que eu seja. Tudo é mais fácil quando não há expectativas.
Estou desanimada e fraca, e tonta demais para acreditar em seja o que for que seja demasiado bom para ser verdae.
22 September, 2008
Optimismo
Ou como nascer outra vez.
Não quero saber que depois caia de boca. Estou farta de negativismos e de maus presságios. Estou farta de desculpar cada desistência prévia com o azar que sempre tive. Sim, tive azar. Muito azar mesmo. Mas não quer dizer que o volte a ter.
1,2,3, vou nascer outra vez!(e desta vez vou nascer optimista)
É mesmo preciso nascer outra vez, desde que me lembro de pensar que tenho uma tendência suicida para o pessimismo, e na "era da depressão" é mesmo igual a premir o gatilho...
Não quero saber que depois caia de boca. Estou farta de negativismos e de maus presságios. Estou farta de desculpar cada desistência prévia com o azar que sempre tive. Sim, tive azar. Muito azar mesmo. Mas não quer dizer que o volte a ter.
1,2,3, vou nascer outra vez!(e desta vez vou nascer optimista)
É mesmo preciso nascer outra vez, desde que me lembro de pensar que tenho uma tendência suicida para o pessimismo, e na "era da depressão" é mesmo igual a premir o gatilho...
19 September, 2008
Fé
"Fé é acreditar na ausência de provas"
Reencontrei a minha. A Fé. Não por ausência de provas, antes fosse. Tenho fé em Deus (ainda me soa tão estranho dizer isto, ao fim de 10 anos a negá-lO com todas as forças), mas principalmente tenho fé em mim. Sabia que tinha perdido a fé em Deus. Mas não me tinha apercebido que também tinha perdido a fé em mim.
É engraçado de uma forma sádica, vendo bem. Como podemos chorar e amaldiçoar os Céus por ninguém nos ver, quando no fundo e sem sequer nos apercebermos achamos que não merecemos ser vistos. Hoje sei que sou especial (perdoem-me o chavão), não por ser mais bonita, mais inteligente, mais forte, mais alguma coisa que os outros, mas porque sou eu. Porque sou especial à minha maneira, porque a minha existência tem um propósito, e porque não perdi a minha sparkle.
E isto sim, isto é importante. Chega de revolta, não há tempo para isso, e se há razões, só as do passado. E o passado já não existe.
Gosto de mim. Permiti-me isso, finalmente.
Mas por muito que acredite em mim e em Deus, há coisas que não merecem crédito. Não duvido que a história se repita (ou tente repetir), sinto no meu âmago que não há finais definitivos enquanto o coração bate e estou farta de tentar ignorar a força do sexto sentido.
Sim, sinto-o. Sim, sei-o.
Mas já não o quero.
Uma coisa é acreditar em Deus, outra é esperar milagres.
O destino tem prazo de validade.
Reencontrei a minha. A Fé. Não por ausência de provas, antes fosse. Tenho fé em Deus (ainda me soa tão estranho dizer isto, ao fim de 10 anos a negá-lO com todas as forças), mas principalmente tenho fé em mim. Sabia que tinha perdido a fé em Deus. Mas não me tinha apercebido que também tinha perdido a fé em mim.
É engraçado de uma forma sádica, vendo bem. Como podemos chorar e amaldiçoar os Céus por ninguém nos ver, quando no fundo e sem sequer nos apercebermos achamos que não merecemos ser vistos. Hoje sei que sou especial (perdoem-me o chavão), não por ser mais bonita, mais inteligente, mais forte, mais alguma coisa que os outros, mas porque sou eu. Porque sou especial à minha maneira, porque a minha existência tem um propósito, e porque não perdi a minha sparkle.
E isto sim, isto é importante. Chega de revolta, não há tempo para isso, e se há razões, só as do passado. E o passado já não existe.
Gosto de mim. Permiti-me isso, finalmente.
Mas por muito que acredite em mim e em Deus, há coisas que não merecem crédito. Não duvido que a história se repita (ou tente repetir), sinto no meu âmago que não há finais definitivos enquanto o coração bate e estou farta de tentar ignorar a força do sexto sentido.
Sim, sinto-o. Sim, sei-o.
Mas já não o quero.
Uma coisa é acreditar em Deus, outra é esperar milagres.
O destino tem prazo de validade.
07 July, 2008
Tenho de fazer um update do meu estado. Porque é importante. Ao menos para mim...
Não sei se os céus ouviram as minhas preces ou se vem aí mais um soco no estômago.
Curei-me. Retiro tudo o que alguma vez disse (com plena consciência de que um dia sou capaz de voltar a repeti-lo) sobre não sentir. Talvez quando aquela dor fina e irritante como uma enxaqueca nos assalta a numbness pareça a melhor opção, mas a minha durou demasiado tempo e fez-me perceber que a coisa mais assustadora é mesmo não sentir. É quase como não ser. Não tinha muito a distinguir-me de um robot altamente sofisticado, e não gostei da sensação.
E pronto, assim como adormeci, acordei. Não vou voltar a ser o que era. Não tão cedo, pelo menos. A primeira vez nunca se esquece, dizem eles. E têm razão. Isto é válido para todas as primeiras vezes, e certamente também para o primeiro trauma (daqueles lixados, claro).
Últimas palavras ao defunto:
Rest in peace (um ano de luto foi uma vergonha. Não merecias uma recuperação tão lenta)
[Só um pequeno aparte, em tom de piada. O próximo jantar romântico que tiver vai ser no Indiano. Com muito, muito, mas muito caril]
Não sei se os céus ouviram as minhas preces ou se vem aí mais um soco no estômago.
Curei-me. Retiro tudo o que alguma vez disse (com plena consciência de que um dia sou capaz de voltar a repeti-lo) sobre não sentir. Talvez quando aquela dor fina e irritante como uma enxaqueca nos assalta a numbness pareça a melhor opção, mas a minha durou demasiado tempo e fez-me perceber que a coisa mais assustadora é mesmo não sentir. É quase como não ser. Não tinha muito a distinguir-me de um robot altamente sofisticado, e não gostei da sensação.
E pronto, assim como adormeci, acordei. Não vou voltar a ser o que era. Não tão cedo, pelo menos. A primeira vez nunca se esquece, dizem eles. E têm razão. Isto é válido para todas as primeiras vezes, e certamente também para o primeiro trauma (daqueles lixados, claro).
Últimas palavras ao defunto:
Rest in peace (um ano de luto foi uma vergonha. Não merecias uma recuperação tão lenta)
[Só um pequeno aparte, em tom de piada. O próximo jantar romântico que tiver vai ser no Indiano. Com muito, muito, mas muito caril]
04 June, 2008
Conspurcação da pureza acto 1º
As pessoas são chatas. Estou meio a dormir e não sonho com nada, este estado aborrece.
Tive um pesadelo a noite passada, e os pesadelos têm a clarividência que lhes quisermos atribuir. Eu acho que os pesadelos mostram o futuro. O meu pesadelo mostrou um futuro nojento. Não era necessariamente mau, aquilo. Não tinha nada a ver com sofrimento. Era nojento, apenas isso.
No meu pesadelo havia pessoas chatas. E muito branco. Não gosto de branco. Eu estava cheia de branco e tentava desesperadamente livrar-me dele. Não, não era vestida de branco. Não sou fã de casamentos, mas neste sonho, antes fosse. Era coberta de branco, de um branco fúngico nojento que não deixa dúvidas sobre a sua simbologia. Havia carradas de gente chata no meu quarto e toda a gente estava coberta de branco. O branco não é a cor da pureza. Já não. É sujo. Sufocante de alguma forma. Como quando as noivas se vestem de branco e têm reacções alérgicas pela culpa de já não serem virgens. Não sei que digo. Tive um sonho mau e não consigo exorcizá-lo da minha cabeça.
Vamos a ver, pela ciência os sonhos são manifestações do subconsciente. Mas onde vai a nossa cabeça buscar semelhantes coisas? Como somos capazes de produzir histórias tão coerentes (e absurdas ao mesmo tempo), imagens tão macabras, situações tão desesperantes? E se os místicos e esotéricos estiverem certos (afinal, porque nos convencemos que a ciência tem sempre razão?), e se isto for um exagero macabro do futuro que me espera?
Eu não escolhi este futuro. Não escolhi ser esmagada por uma imensidão de branco, não quero fugir aos gritos do meu próprio quarto, apenas para encontrar um beco sem saída com paredes de 10m.
Tenho um poder assustador para esconder a minha impotência.
(será que isto significa que devia parar com as bebidas brancas? Senhora cartomante, eu sei que estava ébria, mas diga-me lá outra vez o que me disse, que eu acho que troquei tudo. só me lembro de me dizer que a minha aura era roxa, e isso não é bom)
O que me diz de feitiços e de escolhas? E de escolhas forçadas por feitiços? Deixe-se de me dar desculpas. Escolhas são escolhas. Os feitiços só nos afectam se formos ou estivermos fracos, sempre ouvi dizer... Ah... Está explicado, vendo bem. Acabo sempre por reafirmar a certeza da fraqueza (não, não é da minha) e não sei porque ainda me surpreende. Não são feitiços, minha senhora. É burrice pura e masoquismo gritante.
Mal por mal, antes o branco nojento do sonho repulsivo. E de todos os sinónimos que possa encontrar.
Tive um pesadelo a noite passada, e os pesadelos têm a clarividência que lhes quisermos atribuir. Eu acho que os pesadelos mostram o futuro. O meu pesadelo mostrou um futuro nojento. Não era necessariamente mau, aquilo. Não tinha nada a ver com sofrimento. Era nojento, apenas isso.
No meu pesadelo havia pessoas chatas. E muito branco. Não gosto de branco. Eu estava cheia de branco e tentava desesperadamente livrar-me dele. Não, não era vestida de branco. Não sou fã de casamentos, mas neste sonho, antes fosse. Era coberta de branco, de um branco fúngico nojento que não deixa dúvidas sobre a sua simbologia. Havia carradas de gente chata no meu quarto e toda a gente estava coberta de branco. O branco não é a cor da pureza. Já não. É sujo. Sufocante de alguma forma. Como quando as noivas se vestem de branco e têm reacções alérgicas pela culpa de já não serem virgens. Não sei que digo. Tive um sonho mau e não consigo exorcizá-lo da minha cabeça.
Vamos a ver, pela ciência os sonhos são manifestações do subconsciente. Mas onde vai a nossa cabeça buscar semelhantes coisas? Como somos capazes de produzir histórias tão coerentes (e absurdas ao mesmo tempo), imagens tão macabras, situações tão desesperantes? E se os místicos e esotéricos estiverem certos (afinal, porque nos convencemos que a ciência tem sempre razão?), e se isto for um exagero macabro do futuro que me espera?
Eu não escolhi este futuro. Não escolhi ser esmagada por uma imensidão de branco, não quero fugir aos gritos do meu próprio quarto, apenas para encontrar um beco sem saída com paredes de 10m.
Tenho um poder assustador para esconder a minha impotência.
(será que isto significa que devia parar com as bebidas brancas? Senhora cartomante, eu sei que estava ébria, mas diga-me lá outra vez o que me disse, que eu acho que troquei tudo. só me lembro de me dizer que a minha aura era roxa, e isso não é bom)
O que me diz de feitiços e de escolhas? E de escolhas forçadas por feitiços? Deixe-se de me dar desculpas. Escolhas são escolhas. Os feitiços só nos afectam se formos ou estivermos fracos, sempre ouvi dizer... Ah... Está explicado, vendo bem. Acabo sempre por reafirmar a certeza da fraqueza (não, não é da minha) e não sei porque ainda me surpreende. Não são feitiços, minha senhora. É burrice pura e masoquismo gritante.
Mal por mal, antes o branco nojento do sonho repulsivo. E de todos os sinónimos que possa encontrar.
29 May, 2008
Diz-me que o tempo não existe.
Diz-me que as memórias foram alucinações provocadas por um coma auto-induzido.
Diz-me que não chorei, não desisti nem me matei.
Diz-me que o presente nunca vai acabar e que viveremos para sempre num imperfeitamente perfeito estado de felicidade suprema.
Diz-me que o Mundo vai esperar por nós.
Diz-me que as trevas ainda não cobriram o brilho dos meus olhos.
Diz-me que esta não foi a nossa última dança.
Diz-me que os nossos corpos desapareceram e as nossas almas puderam finalmente encontrar-se uma à outra.
Por favor, diz-me que o tempo é uma ilusão.
Diz-me...
Diz-me que as memórias foram alucinações provocadas por um coma auto-induzido.
Diz-me que não chorei, não desisti nem me matei.
Diz-me que o presente nunca vai acabar e que viveremos para sempre num imperfeitamente perfeito estado de felicidade suprema.
Diz-me que o Mundo vai esperar por nós.
Diz-me que as trevas ainda não cobriram o brilho dos meus olhos.
Diz-me que esta não foi a nossa última dança.
Diz-me que os nossos corpos desapareceram e as nossas almas puderam finalmente encontrar-se uma à outra.
Por favor, diz-me que o tempo é uma ilusão.
Diz-me...
28 May, 2008
Passamos o tempo à procura de uma prova irrefutável da existência de algo que nunca se decide a mostrar-se e, a existir, nos tortura pelo que pode muito bem não ser nenhuma razão profunda superior à nossa compreensão, mas sim o simples prazer de gozar com a nossa cara.
Num desses dias de investigação exaustiva (tu dizias que as drogas nos levavam, literalmente, para mundos paralelos, onde existia a Verdade pura - às vezes tenho medo que seja mesmo verdade) encontrámos. Ele. Ela. Aquilo. A coisa. Deixámos cair os tabuleiros em cima dos joelhos com o choque, e Ele/Ela/Aquilo/A coisa desapareceu. Só a vimos durante breves segundos mas tenho a certeza que era. Alucinações colectivas são demasiado surreais para serem verdadeiras, e coincidências deste calibre não podem acontecer duas vezes num mês, se é que me entendes.
De qualquer forma, sei que ambos tivemos tempo de fazer uma pergunta. Mentalmente. Nem foi propositado. Simplesmente a visão levou-nos automaticamente a pensar naquilo que queríamso perguntar e aquilo gritou tão alto dentro das nossas cabeças que não o podemos conter.
Fizeste um esgar estranho, depois abriste o rosto num sorriso que põe a miúda do Exorcista a um canto. Sei perfeitamente qual foi a tua pergunta. Sei também qual a resposta.
A minha pergunta ficou mal respondida, seria de esperar melhor de uma entidade superior, ou lá que era aquilo. Não temos certezas que não pudesse ter sido um alien ou coisa assim. Sei que não devíamos tomar drogas, não pelo mal que fazem ao corpo mas porque nos levam de encontro à Verdade, e eu não sou forte o suficiente para a Verdade.
Se algo está destinado a acontecer, porque é tão fácil foder o destino?
Se algo está destinado a acontecer, porque é tão fácil foder o destino?
Morrem cedo aqueles que os deuses amam. (os que os deuses não amam também morrem cedo... mas é por dentro)
08 May, 2008
Não faço ideia de onde estaremos ou do que seremos quando o momento chegar. Há sempre a hipótese de nos perdermos no caminho, ou de darmos por nós a espreitar pelos estores para a vida que não escolhemos. Se tudo correr como é suposto (mas afinal de contas, onde está a piada nisso?) estaremos ambos no fim do arco-irís, jogando as moedas douradas ao ar e cantando, algemas e anilhas no caixote do lixo, num abraço interminável de saudade.
Fazes-me falta. Mais do que alguma vez me fizeste, talvez ainda não tanta como a que te fiz... Aposto que quando o momento chegar estaremos quites. De ti só me restam as palavras de sangue nos esboços atirados a medo, as fotografias na gaveta de baixo e os olhares secretos e fugidios dos estados de sinceridade excessiva, onde a boca seca e o olhar diz tudo, sem dizer nada...
Duvido de mim, não tenho coragem ou maldade para te arrancar as entranhas novamente, duvido de ti, não sei se o sal ainda corre no teu sangue, e sei que o sal era tudo o que restava de mim em ti. Tenho medo, tenho sempre medo, sou cobarde e nunca to disse. Quero voltar para aquele lugar, aquele lugar que éramos nós, mas deitei fora a minha chave sem sequer ver onde caiu e agora o Sol não brilha como dantes, e eu puxo os lençóis até cima todas as noites, e finjo que sinto o teu abraço. Sei que este caminho está esburacado, mas sei também que precisei de o percorrer para entender finalmente a magia dos caminhos calcetados que percorríamos. O teu caminho também se tornou esburacado, e eu não sei se é um caminho novo, ou se é o nosso. Se for o nosso, está com demasiados buracos para o podermos arranjar de novo.
Corre, foge enquanto é tempo. Espera comigo pelo momento, que talvez só exista na minha loucura, mas que é tudo o que me resta de mim. Quando ele chegar tudo terá valido a pena. E se não chegar, então foi melhor assim.
"É tarde demais" e "adeus". Duas expressões que odeio. Mas são as primeiras a invadir-me a memória quando penso em ti.
Adeus.
A minha fantasia de felicidade absoluta é demasiado infantil para ser praticável. Ou talvez nós sejamos demasiado cínicos para a por em prática. Ainda assim, quando vôo para aquele fragmento do ontem, onde cheira a baunilha e a terra molhada, e onde ainda nos olhamos nos olhos, não há impossíveis que não desafiem a sua natureza.
24 April, 2008
shortcomings
É domingo. Domingo à tarde.
Chove lá fora e na janela da tua webcam. Pareces amarelado, mas não deves estar doente. Estas coisas electrónicas ainda não são de fiar. Com a voz entrecortada por ruídos metálicos vais-me contando as últimas novidades. A Dª Georgina sobreviveu ao 3º ataque cardíaco, o último casal de solteiros da aldeia casou-se finalmente. Agora só restas tu. Ficaste aí tempo demais, feito parvo, e agora os veteranos não te deixam ir embora como os outros todos. Ai de ti se desertares também, faz-te mas é homem e arranja uma mulher roliça que te dê muitos varões fortes, senão a aldeia é mais uma condenada à extinção. E isso não pode ser.
Peço para mandares um beijinho à Dª Georgina, e as melhoras, parece-me ver-te franzir o sobrolho num ângulo esquisito. Deve ser da webcam. Dizes que não gostas da Dª Georgina porque ela está sempre a rir histericamente. As pessoas que riem histericamente ou é porque são felizes ou porque querem fingir que são. As pessoas que são felizes são irritantes. As pessoas que querem fingir que são felizes são estúpidas.
A Dª Georgina é estúpida porque não é feliz. O marido deixou-a por uma matrafona de uma aldeia vizinha dois meses depois de os únicos filhos terem morrido num terrível acidente de motorizada. Tontos de bagaço contra um chaparro. Dizem que não se distinguiam da árvore quando os bombeiros lá chegaram. E dizem que toda a aldeia se riu no funeral.
Tu dizes-me que eu é que bem podia ir para lá e revolucionar aquilo tudo. Tínhamos era de nos casar, senão davam cabo de ti, mas preferias casar-te comigo do que com a Martinha da aldeia vizinha, que tem bigode e bate nos rapazes. Rio-me da proposta. Seria muito mais simples viver aí, já começo a ficar saturada da feira de vaidades e das falsas aparências da metrópole. E casar contigo não seria mau de todo, suponho. Mas tenho de recusar. Nunca iria dar certo e na aldeia os divórcios não são vistos com bons olhos. Acho que te ias entender melhor com a Martinha.
Eu rio-me histericamente quando estou triste.
Chove lá fora e na janela da tua webcam. Pareces amarelado, mas não deves estar doente. Estas coisas electrónicas ainda não são de fiar. Com a voz entrecortada por ruídos metálicos vais-me contando as últimas novidades. A Dª Georgina sobreviveu ao 3º ataque cardíaco, o último casal de solteiros da aldeia casou-se finalmente. Agora só restas tu. Ficaste aí tempo demais, feito parvo, e agora os veteranos não te deixam ir embora como os outros todos. Ai de ti se desertares também, faz-te mas é homem e arranja uma mulher roliça que te dê muitos varões fortes, senão a aldeia é mais uma condenada à extinção. E isso não pode ser.
Peço para mandares um beijinho à Dª Georgina, e as melhoras, parece-me ver-te franzir o sobrolho num ângulo esquisito. Deve ser da webcam. Dizes que não gostas da Dª Georgina porque ela está sempre a rir histericamente. As pessoas que riem histericamente ou é porque são felizes ou porque querem fingir que são. As pessoas que são felizes são irritantes. As pessoas que querem fingir que são felizes são estúpidas.
A Dª Georgina é estúpida porque não é feliz. O marido deixou-a por uma matrafona de uma aldeia vizinha dois meses depois de os únicos filhos terem morrido num terrível acidente de motorizada. Tontos de bagaço contra um chaparro. Dizem que não se distinguiam da árvore quando os bombeiros lá chegaram. E dizem que toda a aldeia se riu no funeral.
Tu dizes-me que eu é que bem podia ir para lá e revolucionar aquilo tudo. Tínhamos era de nos casar, senão davam cabo de ti, mas preferias casar-te comigo do que com a Martinha da aldeia vizinha, que tem bigode e bate nos rapazes. Rio-me da proposta. Seria muito mais simples viver aí, já começo a ficar saturada da feira de vaidades e das falsas aparências da metrópole. E casar contigo não seria mau de todo, suponho. Mas tenho de recusar. Nunca iria dar certo e na aldeia os divórcios não são vistos com bons olhos. Acho que te ias entender melhor com a Martinha.
Eu rio-me histericamente quando estou triste.
11 April, 2008
Hoje o homem da lua chorou. O homem da Terra reprimiu mais uma lágrima.
A mim não me apetece chorar. Talvez me apeteça chorar por não me apetecer chorar, mas não o suficiente para de facto o fazer. Não tenho metáforas para descrever a sensação de liberdade que me deu dizer-te adeus. Tinha medo que doesse demais. E doeu um bocadinho, mas é aquela dor de quando damos ao nosso sobrinho o nosso brinquedo preferido de criança. Nunca deixamos de estar apegados a ele, mas só quando temos a maturidade de guardar apenas as boas recordações que ele nos traz e perceber que somos velhos demais para brincar com ele é que o conseguimos largar.
Não sei porque te comparei a um brinquedo. Estou a escrever em catadupa, porque estes sentimentos nunca ficam o tempo suficiente para os poder tentar transcrever mais tarde. A 1ª comparação que me ocorreu foi esta. Talvez por teres sido também uma parte da minha fase de transição. Algo que me acompanhou no meu crescimento, que também me ajudou a crescer. Que seria de mim se não tivesses existido? Seria ainda irracional demais. Sonhadora demais. Ingénua demais. Não estou a dizer que tenha perdido todas essas qualidades, ou defeitos, se lhes quiseres chamar assim. Apenas lhes retirei o excesso. Ensinaste-me que os contos de fadas existem. O "felizes para sempre" é que nem sempre.
Hoje consigo olhar para tudo isto sem amargura. Sem raiva. Com alguma pena, é certo (éramos tão melhores do que isto...), mas sem querer bater-te(vos). E principalmente, sem querer ter-te de novo. É tarde demais. Já o tinha percebido. Mas antes sabia que o era apenas da tua parte. Não porque fosse, de facto. Apenas o era porque exigia mais força e mais loucura do que as que tu conseguias ter. Tinha de haver uma revolução. E, como dizias, querias assistir à revolução, não ser parte dela. Sempre foste assim.
Desta vez é tarde demais. Mas porque eu quero. Porque consigo. Porque não sou, de facto, tão especial como queria ser. Sou mais especial que ela (mas também, todas nós somos. Ela é nada). Mas não é que eu não valha a pena. Nós é que não valemos.
A mim não me apetece chorar. Talvez me apeteça chorar por não me apetecer chorar, mas não o suficiente para de facto o fazer. Não tenho metáforas para descrever a sensação de liberdade que me deu dizer-te adeus. Tinha medo que doesse demais. E doeu um bocadinho, mas é aquela dor de quando damos ao nosso sobrinho o nosso brinquedo preferido de criança. Nunca deixamos de estar apegados a ele, mas só quando temos a maturidade de guardar apenas as boas recordações que ele nos traz e perceber que somos velhos demais para brincar com ele é que o conseguimos largar.
Não sei porque te comparei a um brinquedo. Estou a escrever em catadupa, porque estes sentimentos nunca ficam o tempo suficiente para os poder tentar transcrever mais tarde. A 1ª comparação que me ocorreu foi esta. Talvez por teres sido também uma parte da minha fase de transição. Algo que me acompanhou no meu crescimento, que também me ajudou a crescer. Que seria de mim se não tivesses existido? Seria ainda irracional demais. Sonhadora demais. Ingénua demais. Não estou a dizer que tenha perdido todas essas qualidades, ou defeitos, se lhes quiseres chamar assim. Apenas lhes retirei o excesso. Ensinaste-me que os contos de fadas existem. O "felizes para sempre" é que nem sempre.
Hoje consigo olhar para tudo isto sem amargura. Sem raiva. Com alguma pena, é certo (éramos tão melhores do que isto...), mas sem querer bater-te(vos). E principalmente, sem querer ter-te de novo. É tarde demais. Já o tinha percebido. Mas antes sabia que o era apenas da tua parte. Não porque fosse, de facto. Apenas o era porque exigia mais força e mais loucura do que as que tu conseguias ter. Tinha de haver uma revolução. E, como dizias, querias assistir à revolução, não ser parte dela. Sempre foste assim.
Desta vez é tarde demais. Mas porque eu quero. Porque consigo. Porque não sou, de facto, tão especial como queria ser. Sou mais especial que ela (mas também, todas nós somos. Ela é nada). Mas não é que eu não valha a pena. Nós é que não valemos.
08 April, 2008
all-in my heart
Como é possível levarmos uma vida a construir uma teoria que é derrubada no preciso instante em que chegamos à conclusão de que é perfeita, lógica e com uma margem de erro mínima?
Não tenho muito a dizer sobre este assunto, porque para falar dele tenho de pensar, e pensar implica recordar. E recordar implica tornar de alguma forma mais real. Remoê-lo, dissecá-lo, analisá-lo até à loucura para não chegar a conclusão nenhuma. Eu já tinha recordado o suficiente tudo o que havia para recordar, e agora insistes em jogar a última cartada. Já não me apetece jogar a isto. Quando eu aprendo finalmente a jogar este teu jogo, as regras mudam. Não sou um jogador, sou o peão do jogo.
Neste jogo as acções contam mais do que as palavras, as palavras contrariam as acções. Raramente estão em sintonia, e fico na dúvida sobre qual valorizar mais. Os teus gestos matam-me, as tuas palavras torturam-me. Não consigo adivinhar se tens ou não bom jogo. Dizes que sim. Sorrio presunçosamente a olhar para as minhas cartas. Pode ser que caias. Resulta. Franzes o sobrolho às cartas e desistes. Sais da mesa e levas o dinheiro que te resta. No fim, quando viramos as cartas, gritas "merda! era meu!" e dás um soco na mesa. Eu tinha-te avisado que jogo duplo não funciona com ninguém a não ser comigo. Mas parece que começas a aprender. Já sabes fazer bluff, só é pena que em vez de seguires o instinto, jogues sempre pelo seguro.
- Arrisca!- incito eu.
- Não posso - choras.
- Não podes ou não queres?
- Não posso. Não posso mesmo.
Não querer é vontade própria. Não poder é fraqueza. E a tua fraqueza controla-te, aprisiona-te, faz-te mal. Sempre foi assim. A tua fraqueza é feia para mim. Para ti é irresistível. A tua fraqueza tem forma de mulher.
Mal sabe ela que está a perder terreno. Mas ela que não se preocupe. Sempre gostaste mais dela.
Fazes sempre fold.
Eu sou mais all-in.
Não tenho muito a dizer sobre este assunto, porque para falar dele tenho de pensar, e pensar implica recordar. E recordar implica tornar de alguma forma mais real. Remoê-lo, dissecá-lo, analisá-lo até à loucura para não chegar a conclusão nenhuma. Eu já tinha recordado o suficiente tudo o que havia para recordar, e agora insistes em jogar a última cartada. Já não me apetece jogar a isto. Quando eu aprendo finalmente a jogar este teu jogo, as regras mudam. Não sou um jogador, sou o peão do jogo.
Neste jogo as acções contam mais do que as palavras, as palavras contrariam as acções. Raramente estão em sintonia, e fico na dúvida sobre qual valorizar mais. Os teus gestos matam-me, as tuas palavras torturam-me. Não consigo adivinhar se tens ou não bom jogo. Dizes que sim. Sorrio presunçosamente a olhar para as minhas cartas. Pode ser que caias. Resulta. Franzes o sobrolho às cartas e desistes. Sais da mesa e levas o dinheiro que te resta. No fim, quando viramos as cartas, gritas "merda! era meu!" e dás um soco na mesa. Eu tinha-te avisado que jogo duplo não funciona com ninguém a não ser comigo. Mas parece que começas a aprender. Já sabes fazer bluff, só é pena que em vez de seguires o instinto, jogues sempre pelo seguro.
- Arrisca!- incito eu.
- Não posso - choras.
- Não podes ou não queres?
- Não posso. Não posso mesmo.
Não querer é vontade própria. Não poder é fraqueza. E a tua fraqueza controla-te, aprisiona-te, faz-te mal. Sempre foi assim. A tua fraqueza é feia para mim. Para ti é irresistível. A tua fraqueza tem forma de mulher.
Mal sabe ela que está a perder terreno. Mas ela que não se preocupe. Sempre gostaste mais dela.
Fazes sempre fold.
Eu sou mais all-in.
Pesadelo Cor-de-Rosa
Hoje tive um sonho estranho. Estávamos num sítio lindo, estupidamente lindo, como aquelas quintas onde se fazem casamentos e onde é tudo verde e florido, e com caminhos de pedrinhas às cores, e bancos brancos para nos esticarmos ao sol. Era um sítio tão bonito que chegava a parecer artificial. Pensando bem, acho que estávamos mesmo num casamento. Havia um salão com tectos de vidro, um buffet enorme ao centro, e as pessoas dançavam e riam em fato de gala.
Lá estávamos, os quatro. Os melhores amigos do Mundo. O número perfeito. Todos reunidos naquela amostra de paraíso, a rir alto e a torrar ao sol. Já não gosto de triângulos. Não são confusos o suficiente. Agora prefiro quadrados.
Hora do jantar/ copo de água: sentaram-nos na mesa das crianças, e no fim mandaram-nos jogar ao jogo das cadeiras. Eu não quis, éramos um quadrado unido e entre nós não devia haver competições nem divisões. O jogo das cadeiras é o equivalente infantil da luta pela sobrevivência e do individualismo. Sempre gostei mais de jogos de equipa. Mas os senhores da festa (casamento?) não nos deram hipóteses. A sociedade não gosta de quadrados e a gente madura não os tolera. Os adultos não têm quadrados. Triângulos, talvez. Quadrados não.
O jogo chegou à parte final. Desfez-se o quadrado e apenas restámos dois. Vencemos. Os adultos pôem a música novamente a tocar e mantém as duas cadeiras. Quando a música parar, vamos sentar-nos e seremos só nós. A ideia não me parece má. Respiro fundo, de olhos fechados, e sorrio. A música pára. Dou um passo em direcção à cadeira e caio. Vejo pernas a passar por cima de mim, vejo alguém a sentar-se na minha cadeira. Empurrou-me à má fé e sentou-se. E passou, literalmente, por cima.
Riem-se os dois, tu e ela. Abdicaste facilmente do nosso quadrado. Mas e daí, eu também. Nós ganhámos por alguma razão. Mas também não ligaste ao nosso círculo. Percebo-te. Afinal, isto é apenas um jogo. Que ganhe a melhor, é o que dizem. Fujo pelo salão, vou atrás dos outros perdedores, talvez possamos formar um triângulo outra vez. Já desapareceram. Foram para a mesa dos adultos, tal como tu e a intrusa.
Volto a sentar-me na mesa das crianças. Esta festa perdeu o interesse. Já não tenho com quem brincar.
[O que pensa disto, sr. Freud? Fossem todos os sonhos tão fáceis...]
Lá estávamos, os quatro. Os melhores amigos do Mundo. O número perfeito. Todos reunidos naquela amostra de paraíso, a rir alto e a torrar ao sol. Já não gosto de triângulos. Não são confusos o suficiente. Agora prefiro quadrados.
Hora do jantar/ copo de água: sentaram-nos na mesa das crianças, e no fim mandaram-nos jogar ao jogo das cadeiras. Eu não quis, éramos um quadrado unido e entre nós não devia haver competições nem divisões. O jogo das cadeiras é o equivalente infantil da luta pela sobrevivência e do individualismo. Sempre gostei mais de jogos de equipa. Mas os senhores da festa (casamento?) não nos deram hipóteses. A sociedade não gosta de quadrados e a gente madura não os tolera. Os adultos não têm quadrados. Triângulos, talvez. Quadrados não.
O jogo chegou à parte final. Desfez-se o quadrado e apenas restámos dois. Vencemos. Os adultos pôem a música novamente a tocar e mantém as duas cadeiras. Quando a música parar, vamos sentar-nos e seremos só nós. A ideia não me parece má. Respiro fundo, de olhos fechados, e sorrio. A música pára. Dou um passo em direcção à cadeira e caio. Vejo pernas a passar por cima de mim, vejo alguém a sentar-se na minha cadeira. Empurrou-me à má fé e sentou-se. E passou, literalmente, por cima.
Riem-se os dois, tu e ela. Abdicaste facilmente do nosso quadrado. Mas e daí, eu também. Nós ganhámos por alguma razão. Mas também não ligaste ao nosso círculo. Percebo-te. Afinal, isto é apenas um jogo. Que ganhe a melhor, é o que dizem. Fujo pelo salão, vou atrás dos outros perdedores, talvez possamos formar um triângulo outra vez. Já desapareceram. Foram para a mesa dos adultos, tal como tu e a intrusa.
Volto a sentar-me na mesa das crianças. Esta festa perdeu o interesse. Já não tenho com quem brincar.
[O que pensa disto, sr. Freud? Fossem todos os sonhos tão fáceis...]
16 March, 2008
Ouvi dizer que morreste.
Ouvi dizer que a morte te bateu à porta e que a abriste, sorridente. Pronto para a viagem que te propunham. Não tentaste resistir. Não tinhas nada que te prendesse cá.
A vida ensinou-me que é normal as pessoas desistirem de algo que estão quase a conseguir. É mesmo assim. Faz-me confusão, mas aceito. É mesmo assim. É a lei da vida, seja lá o que isso for.
Não há cá destinos. O destino foi inventado para justificarmos as coisas que nos acontecem contra nossa vontade. Ou a favor dela. É sempre tranquilizante metermos as culpas em algo que não seja em nós próprios. O destino é o melhor escape possível. Pensava que eras o meu. Pensava eu, e pensavam as noites de Outono, e os estranhos no comboio, e os fantasmas do passado. Não és. Escolheste não ser. O meu destino é negro. O teu é dourado. Mas e daí? O destino é uma noção falsa. Não existe semelhante coisa. Se existisse, não terias mudado o meu.
Ouvi dizer que a morte te bateu à porta e que a abriste, sorridente. Pronto para a viagem que te propunham. Não tentaste resistir. Não tinhas nada que te prendesse cá.
A vida ensinou-me que é normal as pessoas desistirem de algo que estão quase a conseguir. É mesmo assim. Faz-me confusão, mas aceito. É mesmo assim. É a lei da vida, seja lá o que isso for.
Não há cá destinos. O destino foi inventado para justificarmos as coisas que nos acontecem contra nossa vontade. Ou a favor dela. É sempre tranquilizante metermos as culpas em algo que não seja em nós próprios. O destino é o melhor escape possível. Pensava que eras o meu. Pensava eu, e pensavam as noites de Outono, e os estranhos no comboio, e os fantasmas do passado. Não és. Escolheste não ser. O meu destino é negro. O teu é dourado. Mas e daí? O destino é uma noção falsa. Não existe semelhante coisa. Se existisse, não terias mudado o meu.
12 March, 2008
SuperMassive Black Hole
Parece que entrei para o ecrâ. O filme é o "The Shinning" e tu és o Jack Nicholson, a perseguir-me com um machado, com cara de louco demente. Só que em vez de fugir de ti corro na tua direcção, de braços abertos, sorriso estúpido, correndo aos saltinhos como as crianças pequenas. Vais-me estraçalhar aos bocados. Não consegues mais esconder a tua loucura e é claro como água que me vais estraçalhar. Olhas-me com ar possuído, dizes algo ridículo como "come to daddy..." e abanas o machado ameaçadoramente...
E eu continuo toda contente na tua direcção. Faz-me feliz a tua ânsia de destruição. Pelo menos tens motivação para algo, o que já é mais do que o costume. É ridículo com isto me basta, mas está a tornar-se claro que não vai haver mais que isto.
E eu continuo toda contente na tua direcção. Faz-me feliz a tua ânsia de destruição. Pelo menos tens motivação para algo, o que já é mais do que o costume. É ridículo com isto me basta, mas está a tornar-se claro que não vai haver mais que isto.
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